Oferta atrai investidores por alta remuneração, mas exige atenção ao risco e liquidez dos títulos
Em um cenário de juros elevados e oportunidades cada vez mais restritas na renda fixa tradicional, a Eldorado Brasil surpreende o mercado ao emitir Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) com taxa indicativa de IPCA+ 9% ao ano. Essa remuneração, significativamente acima do que o Tesouro Direto oferece atualmente — IPCA+ 7,87% ao ano para o título IPCA+ 2035 —, chama a atenção de investidores dispostos a assumir riscos maiores em busca de retornos mais robustos.
Contexto e diferenciais dos CRAs da Eldorado Brasil
Os CRAs da Eldorado Brasil, lançados em setembro de 2025 com rating 'AA' pela Fitch e captação de R$ 500 milhões, já nasceram com uma proposta ousada: oferecer remuneração acima da média do mercado. Inicialmente, a taxa era de IPCA+ 7,72% ao ano, mas, com a escalada dos juros, o rendimento saltou para IPCA+ 9,04% ao ano em junho de 2026. Para efeito de comparação, esse retorno equivale a um Tesouro Direto pagando IPCA+ 10,65% ao ano, algo raro mesmo em tempos de Selic (SELIC) elevada.
Riscos e liquidez: o que o investidor precisa saber
Apesar do apelo dos juros compostos elevados, é fundamental destacar que os CRAs não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), o que eleva o risco de crédito. Além disso, a liquidez desses títulos é limitada: quem precisar vender antes do vencimento, previsto para setembro de 2035, pode enfrentar perdas relevantes devido à marcação a mercado, especialmente se as taxas subirem ainda mais.
Análise de fundamentos e garantias
Segundo analistas do setor, o diferencial dos CRAs da Eldorado Brasil está na resiliência da geração de caixa da companhia e na forte capacidade de desalavancagem. A empresa, pertencente ao grupo J&F, conta com o suporte financeiro indireto da holding dos irmãos Batista, que também controla a JBS. Os ativos florestais da Eldorado funcionam como colchão de liquidez, oferecendo flexibilidade em cenários adversos para o preço da celulose.
No entanto, o cronograma de amortização de dívidas da Eldorado Brasil é desafiador: a companhia possui R$ 5,3 bilhões em caixa, mas terá que honrar R$ 3,2 bilhões em dívidas nos próximos 12 meses, além de R$ 3,9 bilhões em 2027, R$ 5,3 bilhões em 2028 e R$ 7,2 bilhões a partir de 2029. Esse perfil de endividamento exige atenção redobrada dos investidores quanto à saúde financeira da empresa ao longo do tempo.
Perspectivas e recomendações
Para quem busca diversificação e está disposto a aceitar maior risco em troca de retornos acima da média, os CRAs da Eldorado Brasil podem ser uma alternativa interessante. Contudo, é imprescindível avaliar o perfil de crédito da companhia, o cenário macroeconômico e a própria disposição para abrir mão de liquidez.
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