Empresa muda ticker, vende ativos e negocia cessão de direitos em cenário de instabilidade
A Economatica (ECOM3) acaba de passar por uma transformação significativa no mercado financeiro brasileiro.
No último dia 7 de julho de 2026, a empresa deixou para trás o nome Traders Club (TC) e adotou oficialmente o novo ticker ECOM3 na bolsa de valores, marcando uma nova fase de rebranding e reposicionamento estratégico. Essa mudança, no entanto, ocorre em meio a um cenário desafiador: o valor das ações permanece pouco acima de R$ 1, o que já desperta o alerta de penny stock e reflete um momento de instabilidade e venda de ativos.
Contexto e disputa judicial
A recente turbulência ganhou novos capítulos quando a Economatica anunciou a venda de sua carteira de varejo para a Ibirá Participações por R$ 4,5 milhões. O acordo previa um pagamento inicial de R$ 2,5 milhões à vista e o restante em seis parcelas mensais de R$ 500 mil. Contudo, a transação rapidamente se tornou alvo de disputa judicial. A Economatica afirma ter sido vítima de inadimplência e acionou a Justiça para garantir o recebimento integral do valor. Por outro lado, a Ibirá Participações alega que não conseguiu concluir a diligência nos números da plataforma adquirida e, por isso, suspendeu os pagamentos, mesmo após já ter desembolsado R$ 1 milhão como sinal de boa fé.
O impasse se agravou quando a Ibirá Participações descobriu que a Economatica continuava abordando a base de clientes que deveria ter sido transferida, direcionando-os para um novo canal de negócios. Tal atitude, segundo a compradora, violaria a cláusula de "non compete" prevista no contrato, levando a Ibirá a também acionar a Justiça para reaver o valor já pago.
Negociações e novo rumo
Enquanto a disputa judicial segue ativa, a Economatica anunciou, em 9 de julho de 2026, um novo fato relevante: a empresa firmou negociações exclusivas com a EQI para a cessão integral dos direitos de propriedade intelectual de sua plataforma. O novo acordo prevê o pagamento de R$ 3 milhões, com um adiantamento de R$ 300 mil já comprometido pela EQI. A transação inclui o software de comunicação e investimentos para pessoa física, tanto no ambiente web quanto em aplicativos móveis.
Vale lembrar que, em 2021, o então Traders Club adquiriu a plataforma Economatica por R$ 40 milhões, utilizando recursos captados no IPO. Desde então, a deterioração dos negócios levou à necessidade de venda de ativos, incluindo tentativas frustradas de negociação com a Reag Investimentos, que não avançaram devido a questões reputacionais envolvendo a gestora.
Impacto para investidores e análise de desempenho
O histórico recente da Economatica ilustra os riscos associados a mudanças bruscas de estratégia e à instabilidade operacional. Segundo dados de plataformas do setor, um investimento de R$ 1 mil em ECOM3 desde o IPO em 2021 teria se reduzido a apenas R$ 12,70, mesmo considerando o reinvestimento de dividendos. No mesmo período, o Ibovespa (IBOV) teria proporcionado um retorno de R$ 1.394,00, evidenciando a expressiva perda de valor para os acionistas da Economatica.
Para investidores atentos à evolução de empresas em reestruturação e à volatilidade de penny stocks, acompanhar indicadores fundamentalistas e históricos de desempenho é essencial. A ferramenta de Simulador de Rentabilidade da AUVP Analítica permite visualizar, de forma prática, como diferentes estratégias e ativos teriam performado ao longo do tempo, auxiliando na tomada de decisão mais informada.