Petrobras ajusta preços do diesel; mercado espera corte menor na Selic e aversão ao risco afeta ações cíclicas
Dólar à vista encerra semana em alta e atinge maior patamar desde janeiro
O dólar à vista encerrou a sexta-feira em alta expressiva de 1,41%, cotado a R$ 5,31, atingindo o maior patamar desde janeiro e refletindo um cenário de aversão ao risco nos mercados globais. O movimento foi impulsionado por tensões geopolíticas, incertezas sobre a trajetória dos juros nos Estados Unidos e no Brasil, além de ajustes nas expectativas dos investidores quanto à política monetária.
Ibovespa pressionado por fatores externos e internos
O Ibovespa (IBOV) fechou em queda de 0,91%, aos 177.653 pontos, acumulando perda semanal de 0,95%. O índice foi pressionado tanto pela piora do humor internacional quanto por fatores domésticos, como o reajuste anunciado pela Petrobras (PETR4) no preço do diesel. O aumento de 11,6% para as refinarias anulou o efeito das medidas do governo para conter os preços dos combustíveis no IPCA (IPCA), segundo análise do BCG Liquidez.
Apesar do reajuste, especialistas apontam que os preços da Petrobras ainda estão defasados em relação ao mercado internacional. De acordo com a Abicom, seria necessário um aumento adicional de R$ 2,34 por litro no diesel para equiparar os valores ao PPI, após mais de 300 dias sem reajustes. Para a gasolina, a defasagem chega a 43%, o que demandaria um acréscimo de R$ 1,10 por litro. O mercado, no entanto, não espera que a estatal repasse integralmente essa volatilidade ao consumidor, especialmente após a adesão ao programa de subvenção ao diesel.
As ações da Petrobras refletiram esse ambiente de incerteza e encerraram o dia em queda: os papéis ordinários recuaram 0,54%, a R$ 49,38, enquanto as preferenciais caíram 0,73%, a R$ 44,67.
Ajuste nas apostas para a Selic
No campo da política monetária, o mercado ajustou suas apostas para a próxima reunião do Copom. A expectativa majoritária agora é de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic (SELIC), levando a taxa de 15% para 14,75% ao ano. Antes da intensificação do conflito no Irã, a aposta predominante era de uma redução de 0,50 ponto percentual.
Aversão ao risco penaliza ações cíclicas
O ambiente de forte aversão ao risco e abertura da curva de juros penalizou especialmente as ações cíclicas, que lideraram as perdas do Ibovespa. Hapvida, Braskem e CSN figuraram entre as maiores quedas, com Braskem e CSN ainda reagindo a balanços trimestrais e notícias recentes. Por outro lado, SLC Agrícola e BB Seguridade se destacaram no campo positivo, mostrando resiliência em meio à volatilidade.
No cenário político, a possível candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo e as pesquisas eleitorais seguiram no radar dos investidores, adicionando mais um componente de incerteza ao ambiente doméstico.
Cenário internacional: inflação e juros nos EUA
No exterior, o índice PCE, principal referência de inflação para o Federal Reserve, subiu 0,3% em janeiro, em linha com as expectativas. Na comparação anual, o avanço foi de 2,8%, levemente abaixo do projetado. Com isso, o mercado passou a considerar setembro como o mês mais provável para o início do ciclo de corte de juros nos EUA, com probabilidade de 54,2% segundo o CME Group. Para a próxima reunião, a manutenção dos juros entre 3,50% e 3,75% ao ano é praticamente certa.
Os principais índices de Wall Street fecharam em queda, refletindo o clima de cautela global: Dow Jones recuou 0,26%, S&P 500 caiu 0,61% e Nasdaq perdeu 0,93%. Na Europa, o Stoxx 600 cedeu 0,50%, enquanto na Ásia, Nikkei e Hang Seng também registraram perdas.
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