Desvalorização de 11,18% em 2025 reflete política monetária e cenário geopolítico global
O dólar encerrou o último pregão do ano em queda de 1,47%, cotado a R$ 5,48, marcando um dos piores desempenhos anuais da moeda norte-americana desde 2016.
Ao longo de 2025, a divisa acumulou uma desvalorização de 11,18% frente ao real, refletindo não apenas fatores internos, mas também movimentos globais que impactaram o mercado cambial.
Contexto internacional e o efeito das tarifas
O início do ano foi marcado por expectativas em torno da política tarifária do governo dos Estados Unidos. As tarifas impostas pelo presidente Donald Trump, que chegaram a 10% para parceiros globais e até 40% para casos específicos como o Brasil, inicialmente impulsionaram o dólar. No entanto, o efeito foi passageiro: o temor de estagflação – combinação de inflação alta com baixo crescimento – levou investidores a repensarem suas posições em ativos americanos, buscando alternativas em mercados emergentes.
O Brasil, por sua vez, se beneficiou de negociações diplomáticas que resultaram na retirada de tarifas sobre produtos agrícolas e carnes, favorecendo o fluxo de capitais estrangeiros para o país. Com o real já depreciado em anos anteriores, o mercado brasileiro tornou-se atrativo para investidores internacionais em busca de oportunidades descontadas.
Política monetária e o diferencial de juros
Outro elemento central para a queda do dólar foi a mudança de postura do Federal Reserve. O banco central dos EUA iniciou um ciclo de cortes de juros a partir de setembro, reduzindo as taxas de 4,25%-4,50% para 3,50%-3,75% ao ano. Esse movimento diminuiu a atratividade dos títulos do Tesouro americano, estimulando o chamado carry trade – estratégia em que investidores buscam países com juros mais altos para obter retornos superiores.
Com a taxa Selic (SELIC) mantida em 15% ao ano, o Brasil destacou-se como destino preferencial para esse fluxo de capital, fortalecendo ainda mais o real frente ao dólar.
Volatilidade e desafios geopolíticos
Apesar da tendência de queda, o dólar enfrentou momentos de volatilidade ao longo do ano, impulsionados por tensões no Oriente Médio e a continuidade do conflito entre Rússia e Ucrânia. Mesmo assim, o cenário macroeconômico global, aliado ao diferencial de juros favorável ao Brasil, sustentou a desvalorização da moeda americana.
Análise e perspectivas
O desempenho do dólar em 2025 evidencia como fatores externos – especialmente decisões de política monetária e eventos geopolíticos – podem redefinir o fluxo de capitais e o valor das moedas emergentes. Para o investidor brasileiro, compreender essas dinâmicas é fundamental para tomar decisões mais informadas e aproveitar oportunidades em momentos de volatilidade.
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