Banqueiro nega fraudes e destaca recomendação do Banco Central na operação rejeitada pelo BRB
As declarações do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, lançaram luz sobre os bastidores da tentativa de venda da instituição ao BRB (BSLI4), em um dos episódios mais controversos do sistema financeiro brasileiro recente. Em depoimento à Polícia Federal, prestado em 30 de dezembro de 2025 no Supremo Tribunal Federal, Vorcaro afirmou que a Diretoria de Fiscalização do Banco Central recomendou a operação, afastando suspeitas de facilitação política ou fraude no processo.
Contexto e repercussão do caso O Banco Master entrou em liquidação extrajudicial em 18 de novembro, após decisão do Banco Central. No mesmo dia, Vorcaro foi preso em operação da Polícia Federal que apura suspeitas de fraudes bilionárias, mas foi posteriormente liberado e passou a cumprir medidas cautelares. O episódio ganhou ainda mais destaque após o Banco Central rejeitar, em setembro, a compra do Master pelo BRB (BSLI4) , alegando que o banco comprador não teria capacidade financeira suficiente para absorver a operação.
No depoimento, Vorcaro negou veementemente a existência de qualquer fraude, especialmente a suposta venda de carteiras de crédito falsas ao BRB, tema central das investigações. Segundo ele, auditorias independentes e a área técnica do Banco Central avaliaram positivamente a operação, que teria potencial para fortalecer o BRB e ampliar sua atuação nacional, tornando-o mais competitivo frente aos grandes bancos do país.
Análise das causas da crise
Vorcaro reconheceu que o Banco Master enfrentava uma crise de liquidez, mas destacou que a instituição sempre foi solvente, mantendo mais ativos do que passivos e honrando compromissos até meados de novembro. Ele atribuiu o agravamento da crise a mudanças regulatórias no Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que teriam pressionado a captação do banco e impactado diretamente o seu modelo de negócios. O banqueiro ressaltou que, desde 2018, todos os planos apresentados ao Banco Central consideravam as regras vigentes do FGC.
Impacto para o sistema financeiro e próximos passos
O caso levanta discussões relevantes sobre a governança, a transparência e a solidez do sistema bancário brasileiro. A recomendação do Banco Central, posteriormente revertida, e as investigações em curso evidenciam a complexidade das operações de fusão e aquisição no setor financeiro, especialmente em momentos de instabilidade. O desfecho do caso Master pode influenciar futuras decisões regulatórias e o apetite de bancos regionais por expansão nacional.
Para investidores atentos ao setor bancário e interessados em acompanhar o desempenho de instituições financeiras listadas, a ferramenta de Comparador de Ações da AUVP Analítica oferece uma análise detalhada de múltiplos indicadores, permitindo avaliar fundamentos e riscos de cada banco de forma transparente e embasada.