Apuração envolve gestores, fundos e recompras irregulares antes da recuperação judicial
A CVM intensifica investigação sobre possível manipulação de mercado envolvendo ações da Ambipar (AMBP3), que chegaram a valorizar mais de 800% antes do pedido de recuperação judicial da companhia. O caso, que já mobiliza a Superintendência de Processos Sancionadores da autarquia, revela a complexidade e gravidade das suspeitas que pairam sobre o mercado de capitais brasileiro.
Contexto e evolução da investigação
A apuração, conduzida sob sigilo, já ouviu profissionais de corretoras e gestoras ligados à mesa de operações. O principal objetivo é identificar se houve atuação coordenada para inflar artificialmente os preços das ações da Ambipar. Entre os nomes investigados estão o empresário Nelson Tanure, o executivo Tércio Borlenghi (controlador da Ambipar), o Banco Master e fundos administrados pela Trustee DTVM. Todos negam qualquer irregularidade ou ação conjunta para manipular o mercado.
O caso ganhou destaque após a criação do fundo Phoenix FIP, ligado a Tanure, em março de 2024. Esse veículo, gerido pela Trustee e associado ao Banco Master, participou da compra da Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia) durante o processo de privatização no governo paulista. Para viabilizar a operação, foram emitidas debêntures com garantias em ações da Emae e da própria Ambipar.
Movimentações suspeitas e impacto no mercado
Documentos analisados pela CVM indicam que as ações da Ambipar usadas como garantia pertenciam tanto a Borlenghi quanto ao fundo Esna, também gerido pela Trustee. Entre junho e agosto de 2024, esses agentes, ao lado de outros fundos como Kyra FIA e Texas FIA, intensificaram a recompra de ações da Ambipar, movimento que coincidiu com a forte valorização dos papéis.
Em setembro, o fundo Ilha de Patmos FIM, outro veículo de Tanure, tornou-se cotista do Esna, assumindo a posição antes ocupada pelo Banco Master. Posteriormente, essa participação foi transferida para o fundo Phoenix, responsável pela aquisição da Emae. Além disso, a CVM já instaurou processo sancionador contra Tércio Borlenghi Jr. e outros quatro diretores da Ambipar por excederem o limite legal de recompra de ações, ultrapassando os 10% do total em circulação, em desacordo com as normas do mercado.
Análise e projeções
A continuidade das investigações da CVM pode trazer desdobramentos relevantes não apenas para a Ambipar, mas também para outros agentes financeiros envolvidos. O episódio reforça a importância da transparência e do rigor regulatório no mercado de capitais, especialmente em operações que envolvem grandes oscilações de preço e estruturas complexas de financiamento.
Para investidores atentos à governança e à integridade do mercado, acompanhar casos como este é fundamental para embasar decisões e mitigar riscos. Ferramentas como o Ranking de Ativos da AUVP Analítica permitem monitorar o desempenho e a regularidade de empresas listadas, oferecendo uma visão comparativa essencial para quem busca investir com segurança e informação qualificada.