Oferta visa antecipar mudança na tributação de dividendos prevista para 2026, com dividend yield atrativo
Cury anuncia oferta subsequente para antecipar mudanças na tributação de dividendos
A Cury Construtora e Incorporadora (CURY3) anunciou uma oferta subsequente primária de ações (follow-on) com o objetivo de captar até R$ 600 milhões, em uma estratégia que antecipa a esperada mudança na tributação dos dividendos prevista para 2026. O movimento, divulgado nesta quinta-feira (4), busca viabilizar o pagamento de dividendos extraordinários de até R$ 573 milhões, valor sujeito à aprovação do conselho de administração após a definição do preço final da oferta.
Contexto e objetivos da oferta
A operação envolve a emissão de aproximadamente 16,2 milhões de novas ações, o que pode resultar em uma diluição de cerca de 6% na base acionária, segundo estimativas do JPMorgan. Considerando o preço de fechamento das ações em R$ 37,10 no dia 3 de dezembro, o dividend yield projetado para os acionistas gira em torno de 5%, um patamar considerado atrativo no cenário atual.
O cronograma divulgado pela companhia estabelece que apenas os investidores posicionados no fechamento da data de liquidação da oferta, prevista para 16 de dezembro de 2025, terão direito ao provento extraordinário. O pagamento está programado para ocorrer até o final de 2025, permitindo que os acionistas se beneficiem das regras atuais de tributação antes da entrada em vigor das novas normas.
Análise de mercado e impactos
A estratégia da Cury é vista como uma resposta pragmática ao ambiente regulatório em transformação, buscando otimizar a remuneração dos acionistas e antecipar possíveis impactos negativos da tributação futura. Apesar do dividend yield elevado, o JPMorgan classificou a oferta como neutra a levemente negativa, principalmente devido ao efeito dilutivo sobre o capital social e à incerteza até a conclusão da operação. Ainda assim, a trajetória consistente de geração de valor da companhia pode mitigar parte dessas preocupações.
Caso o dividendo extraordinário não seja aprovado ou o montante captado supere os R$ 573 milhões estimados, a empresa informou que o excedente será destinado a fins corporativos gerais, reforçando a flexibilidade financeira da Cury.
Efeitos patrimoniais e projeções
A movimentação terá impacto direto na estrutura patrimonial da companhia. Com base nos dados do terceiro trimestre de 2025, a Cury possuía reservas de lucros de aproximadamente R$ 736 milhões (excluindo reservas legais). Após o pagamento dos dividendos extraordinários, esse valor deve cair para cerca de R$ 163 milhões. Considerando também o pagamento de dividendos já previstos para o quarto trimestre e a expectativa de lucro líquido de R$ 217 milhões no período, o valor patrimonial da empresa deve recuar para R$ 1,18 bilhão, ante os R$ 1,385 bilhão registrados no fim de setembro.
O valor patrimonial por ação (VPA) estimado ficará em torno de R$ 3,83, levando a uma avaliação de mercado de aproximadamente 9,5 vezes o VPA, com base no preço de fechamento mais recente.
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