JP Morgan reforça compra de SBSP3, com potencial de valorização de 30% apesar da crise
A crise hídrica em São Paulo desafia a Sabesp, mas mercado mantém otimismo
O estado de São Paulo enfrenta uma das mais severas crises hídricas de sua história recente, com os principais reservatórios operando próximos ao limite mínimo de capacidade. Apesar desse cenário preocupante, o mercado financeiro mantém uma postura surpreendentemente otimista em relação às ações da Sabesp (SBSP3), empresa responsável pelo abastecimento de água da capital e da região metropolitana.
Impacto da crise já estaria precificado nas ações
Segundo relatório divulgado nesta segunda-feira (19) pelo JP Morgan, a queda dos níveis dos reservatórios já foi incorporada ao preço das ações da Sabesp, que acumulam desvalorização de 7% desde o início do ano. O banco norte-americano reforçou sua recomendação de compra para os papéis, estabelecendo um preço-alvo de R$ 160 — o que representa um potencial de valorização de até 30% em relação ao valor atual de mercado.
Os analistas do JP Morgan reconhecem os riscos inerentes à crise hídrica, mas avaliam que o pessimismo já está refletido nos preços. O relatório destaca que, mesmo considerando um cenário em que a entrada de água fique abaixo de 50% da média histórica — como ocorre atualmente no Sistema Cantareira —, os impactos negativos já foram absorvidos pelo mercado. Além disso, fatores como regulação, infraestrutura hídrica e gestão de perdas limitam o potencial de queda adicional das ações.
Projeções e fundamentos da Sabesp
A equipe de research do banco estima que, mesmo em um cenário adverso, o impacto financeiro seria controlado. Considerando uma queda de 4% nos volumes de água em relação ao ano anterior e um aumento de 10% nos custos de eletricidade e materiais, o efeito negativo seria de R$ 2,7 bilhões — patamar semelhante ao observado na crise hídrica de 2014.
No acumulado dos últimos 12 meses, a valorização das ações da Sabesp acompanha o desempenho do Ibovespa (IBOV), com alta superior a 30%. Esse movimento positivo reforça a atratividade do ativo, especialmente após a privatização da companhia, que agora figura entre os principais nomes da bolsa brasileira, com valor de mercado de R$ 87 bilhões.
Cenário dos reservatórios e perspectivas para o abastecimento
Apesar do otimismo do mercado, a situação dos reservatórios segue crítica. O Sistema Cantareira, principal fonte de abastecimento da região metropolitana, opera com cerca de 20% da capacidade, segundo dados do Portal dos Mananciais. A vazão de água liberada está em 23 metros cúbicos por segundo, bem abaixo dos 31 metros cúbicos considerados normais.
Especialistas alertam que, mesmo com chuvas acima da média nos próximos dias, o nível dos reservatórios dificilmente atingirá patamares confortáveis para atravessar a estação seca. Projeções indicam que, no melhor cenário, o volume subiria para 40% — ainda insuficiente para garantir o abastecimento sem restrições.
Diante desse quadro, órgãos de monitoramento já recomendam a adoção de medidas de racionamento, destacando a necessidade de planejamento e gestão eficiente para evitar impactos mais severos à população e à economia.
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