Governo cubano corta fornecimento de JetFuel, impactando voos e economia em meio a embargo dos EUA
A crise energética em Cuba atinge novo patamar: governo suspende fornecimento de combustível para aviação
Cuba, historicamente marcada por desafios econômicos e políticos, enfrenta agora uma das mais graves crises energéticas de sua trajetória recente. O governo cubano deve suspender, ainda nesta semana, o fornecimento de combustível para aviões, medida que impactará tanto companhias aéreas nacionais quanto estrangeiras que operam no país. A decisão, embora ainda não oficializada publicamente pelo presidente Miguel Díaz-Canel, já foi comunicada às empresas do setor, segundo fontes do mercado aéreo internacional.
Impacto imediato no setor aéreo e na economia
A suspensão do abastecimento de JetFuel, prevista para entrar em vigor a partir de 10 de fevereiro, representa um duro golpe para a aviação civil cubana e internacional. Com a escassez de combustível, voos podem ser cancelados ou redirecionados, afetando o turismo – setor vital para a economia da ilha – e dificultando ainda mais a mobilidade de pessoas e mercadorias. O cenário agrava a já delicada situação econômica de Cuba, que depende fortemente de importações e do apoio de aliados políticos para suprir necessidades básicas.
Embargo dos EUA e isolamento internacional
O contexto da crise energética cubana está diretamente ligado ao embargo comercial imposto pelos Estados Unidos, que restringe o acesso da ilha a produtos essenciais, incluindo petróleo. A dependência de Cuba de parceiros como a Venezuela – recentemente enfraquecida após ações norte-americanas no país vizinho – deixou a ilha ainda mais vulnerável. Com estoques de petróleo para menos de um mês, o governo prioriza setores estratégicos, enquanto cidades como Havana enfrentam apagões frequentes.
Resposta internacional e tensões geopolíticas
A crise energética cubana ganhou repercussão internacional, com a Rússia acusando os Estados Unidos de promover uma "asfixia" econômica à ilha. O Kremlin classificou a situação como crítica e sinalizou a busca por alternativas para apoiar Cuba. Por outro lado, a ajuda humanitária de US$ 6 milhões enviada pelos EUA foi considerada insuficiente e "hipócrita" por autoridades cubanas, que criticam a dualidade entre sanções severas e auxílio pontual.
Turismo e economia sob pressão
A escassez de combustível pressiona setores-chave da economia cubana, especialmente o turismo, que registrou em 2023 o menor número de visitantes estrangeiros em mais de duas décadas. O PIB do país, estimado em US$ 100 bilhões, sofre com a retração de receitas e a dificuldade de acesso a insumos básicos. O presidente Díaz-Canel reconhece que a crise atual é resultado de um acúmulo de adversidades, agravadas por erros internos e pelo embargo externo.
Perspectivas e desafios para a transição energética
Diante do bloqueio energético, o governo cubano reforça a necessidade de acelerar a transição para fontes renováveis de energia. No entanto, a falta de detalhes sobre estratégias concretas e a limitação de recursos dificultam avanços significativos no curto prazo. O cenário exige resiliência e criatividade para garantir o funcionamento dos serviços essenciais e a sobrevivência econômica da ilha.
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