Plano inclui cisão da Raízen, aportes de investidores e conversão de dívida em ações
A Cosan (CSAN3) apresentou à Shell uma proposta robusta para reestruturar a dívida da Raízen (RAIZ4), após a divulgação de um prejuízo bilionário de R$ 15,6 bilhões na última quinta-feira (12). O movimento, antecipado por fontes de mercado, reflete a crescente preocupação com a alavancagem da companhia e o risco de um cenário financeiro ainda mais restritivo.
Contexto: Pressão sobre a Estrutura de Capital
O prejuízo expressivo da Raízen (RAIZ4) intensificou o alerta entre credores e investidores, levando a especulações sobre um possível pedido de recuperação judicial. A proposta da Cosan (CSAN3) , portanto, surge como uma resposta estratégica para evitar um desfecho mais drástico e preservar o valor da companhia no mercado.
Estratégia de Cisão: Dois Negócios, Riscos Isolados
O plano em discussão prevê a cisão da Raízen em duas operações independentes: uma dedicada ao segmento de commodities, como açúcar e etanol, e outra focada na distribuição de combustíveis. Essa divisão visa isolar riscos, aumentar a transparência e facilitar a atração de capital direcionado para cada unidade. Além disso, o projeto contempla rodadas de capitalização e a conversão de parte das dívidas em participação acionária, reduzindo a alavancagem e alongando o perfil financeiro da empresa.
Aportes e Papel dos Investidores
Segundo o esboço apresentado, o braço de commodities receberia aportes significativos: cerca de R$ 1 bilhão da Cosan, R$ 500 milhões do empresário Rubens Ometto e aproximadamente R$ 1,5 bilhão da Shell, embora a multinacional ainda demonstre cautela quanto a novos investimentos. O BTG Pactual (BPAC11) também figura como peça-chave, com previsão de um aporte de R$ 5,3 bilhões via fundos de private equity, reforçando o caixa e contribuindo para o reequilíbrio da estrutura de capital.
Conversão de Dívida e Diluição de Acionistas
O plano inclui ainda a conversão de 25% da dívida com credores em ações, sendo dois terços destinados à empresa de commodities e um terço à unidade de distribuição. Essa medida, embora reduza o endividamento nominal e transfira parte do risco aos credores, pode resultar em diluição para os atuais acionistas, dependendo do desenho final da operação.
Análise e Perspectivas para o Mercado
A reestruturação proposta busca restaurar a confiança do mercado, preservar liquidez e reorganizar o portfólio de ativos da Raízen em bases mais sustentáveis. Para investidores, o cenário adiciona volatilidade aos papéis da companhia e mantém o foco na capacidade de execução de uma solução negociada antes que o estresse financeiro se agrave.
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