FGC inicia ressarcimento a clientes e busca soluções para recompor perdas bilionárias no sistema financeiro
O colapso do Will Bank e a resposta do FGC: o que está em jogo para o sistema financeiro brasileiro
O recente episódio envolvendo a liquidação do Will Bank, subsidiária do Banco Master, acendeu um alerta no mercado financeiro brasileiro. Quase vinte dias após a intervenção do Banco Central, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) se prepara para iniciar o ressarcimento dos clientes afetados, um movimento que coloca à prova a robustez dos mecanismos de proteção ao depositante no país.
Prioridade aos correntistas e o teste das contas pré-pagas
Segundo Gilnei Astolfi, diretor de Normas do Banco Central, cerca de 7 milhões de pessoas aguardam na fila para receber seus recursos. O foco inicial será nos saldos de contas pré-pagas, um segmento que, até então, não havia enfrentado um teste de estresse dessa magnitude. Astolfi destacou que os valores já estão reservados em uma conta do BC, garantindo que todos os clientes serão ressarcidos conforme as regras do FGC. O executivo reconheceu, porém, que o processo de pagamento tem sido mais lento do que o desejado, evidenciando desafios operacionais e a necessidade de aprimoramento nos procedimentos.
Cobertura do FGC e limites de proteção
O FGC oferece cobertura para saldos de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, com um teto global de R$ 1 milhão por investidor. Essa proteção abrange contas correntes, poupança, CDBs, LCIs e operações compromissadas, mas não se estende a todos os tipos de ativos financeiros. O episódio do Will Bank representa o primeiro grande teste para o sistema de contas pré-pagas, reforçando a importância de o investidor conhecer os limites e as regras de cobertura do fundo.
Impacto bilionário e busca por soluções
A liquidação do Will Bank e do Banco Master impôs um prejuízo bilionário ao FGC, que precisou desembolsar cerca de R$ 50 bilhões para ressarcir correntistas e investidores. Esse movimento pressionou o caixa do fundo e desencadeou uma corrida por soluções para recompor rapidamente os recursos. Entre as alternativas em discussão, está a antecipação das contribuições dos bancos associados ao FGC, que pode chegar a quatro anos de repasses em uma única vez. Outra proposta sugere a transferência dos depósitos compulsórios do Banco Central para o FGC, uma medida que, segundo as instituições financeiras, ajudaria a mitigar impactos nos balanços dos bancos.
O papel do FGC e a confiança no sistema
O episódio evidencia a relevância do FGC como pilar de estabilidade e confiança no sistema financeiro brasileiro. Ao mesmo tempo, expõe a necessidade de aprimorar processos e fortalecer a governança do fundo diante de eventos extremos. Para o investidor, o caso reforça a importância de diversificar aplicações e compreender os mecanismos de proteção disponíveis.
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