Banco Central liquida Will Bank; FGC libera R$ 6,06 bi para ressarcimento de clientes e credores
O colapso do Will Bank, banco digital do conglomerado Master, marca um dos episódios mais emblemáticos do sistema financeiro brasileiro em 2024.
Em meio à crise que atingiu o grupo controlado por Daniel Vorcaro, investigado por fraudes financeiras, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição em janeiro, após o descumprimento de obrigações com a Mastercard e a constatação de insolvência. O impacto foi imediato: mais de 6,5 milhões de clientes ficaram à espera de ressarcimento, enquanto o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) assumiu o protagonismo no processo de reembolso.
Contexto e consequências da liquidação
A decisão do Banco Central de liquidar o Will Bank não foi isolada. Ela refletiu o agravamento da situação econômico-financeira do conglomerado Master, já sob intervenção, e evidenciou os riscos de concentração de poder e má gestão em instituições financeiras digitais. O Will Bank, que vinha crescendo rapidamente no segmento de bancos digitais, viu sua operação interrompida abruptamente, deixando clientes e credores em situação delicada.
FGC libera nova rodada de reembolsos
Diante do cenário, o FGC anunciou uma nova etapa de pagamentos para clientes e credores do Will Bank. A partir desta terça-feira (7), aqueles com valores superiores a R$ 1 mil já podem solicitar o ressarcimento diretamente pelo aplicativo do FGC, mediante cadastro e envio de documentação. Segundo o fundo, cerca de 312 mil pessoas estão aptas a receber, totalizando R$ 6,06 bilhões em pagamentos previstos. O processo, que já havia contemplado clientes com até R$ 1 mil desde fevereiro, agora avança para os credores de maior valor, que aguardaram mais de dois meses pela liberação.
Desafios e orientações para os credores
Apesar da liberação dos recursos, o ritmo de pagamentos ainda é um desafio. Dos 6,269 milhões de clientes com direito a até R$ 1 mil, apenas 18% já receberam o valor devido. O FGC reforça a importância de manter as notificações do aplicativo ativas e de acompanhar atentamente as solicitações de documentação para garantir a agilidade no processo. Após a aprovação do pedido, o pagamento é realizado em até dois dias úteis, respeitando o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, com teto de R$ 1 milhão a cada quatro anos.
Limites e consolidação de conglomerados
O caso do Will Bank também chama atenção para a regra de consolidação dos limites de garantia do FGC em conglomerados financeiros. Aplicações realizadas até 31 de agosto de 2024 no Will Bank mantêm o limite individual de R$ 250 mil. Após essa data, os valores passam a ser consolidados com outros bancos do grupo Master, como Master de Investimento e Letsbank, o que pode impactar o montante total garantido para cada investidor.
Análise e perspectivas
A liquidação do Will Bank evidencia a necessidade de maior diligência na escolha de instituições financeiras, especialmente em um cenário de expansão dos bancos digitais. Para investidores e clientes, o episódio reforça a importância de diversificar aplicações e monitorar a saúde financeira dos bancos onde mantêm recursos. O papel do FGC, embora fundamental para a proteção dos depositantes, não elimina o risco sistêmico quando conglomerados inteiros entram em colapso.
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