Clientes e empresas aguardam ressarcimento após liquidação do Will Bank e bloqueio de recursos
O colapso do Will Bank e o impacto no sistema financeiro: consumidores e empresas aguardam ressarcimento
O recente episódio envolvendo o Will Bank, que esteve sob regime especial por quase três meses antes de ser liquidado, expõe fragilidades preocupantes no sistema financeiro brasileiro e deixa milhões de consumidores e empresas em situação delicada. O caso ganhou destaque após denúncias da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), que alertou para o não pagamento de saldos pendentes a estabelecimentos comerciais, mesmo após os consumidores já terem quitado suas faturas.
O problema central reside no descasamento do fluxo de pagamentos: clientes do Will Bank realizaram compras, pagaram suas faturas, mas os valores não chegaram aos comerciantes. Segundo Ricardo de Barros Vieira, vice-presidente executivo da Abecs, trata-se de recursos já pagos pelos consumidores, mas que não foram repassados às credenciadoras e, consequentemente, aos estabelecimentos. O cenário é descrito como crítico e de volume relevante, com potencial para abalar a confiança e a segurança do sistema financeiro nacional.
O Will Bank, que integrava o grupo do Banco Master — liquidado pelo Banco Central em 2023 —, permaneceu em regime especial até sua própria liquidação no mês passado. A fintech, que operava com cartões Mastercard, já vinha enfrentando reclamações de clientes sobre transações não autorizadas em diversos estabelecimentos, sinalizando problemas operacionais anteriores à intervenção.
O impacto da liquidação vai além das empresas: cerca de 12 milhões de clientes, em sua maioria na região Nordeste, tiveram recursos bloqueados em contas correntes. Diferentemente de outras liquidações recentes, a maior parte do dinheiro retido era utilizada para despesas cotidianas, agravando a situação de famílias que dependiam desses valores para compromissos básicos.
Até o momento, não há previsão para o início do ressarcimento dos valores pelo Banco Central ou pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O FGC chegou a antecipar uma parcela de R$ 1 mil para aproximadamente 6 milhões de pessoas, mas o montante é insuficiente para cobrir as necessidades de muitos clientes. O mercado aguarda a conclusão da lista de credores para que os pagamentos possam ser efetivados.
A crise do Will Bank serve de alerta para investidores e consumidores sobre a importância de avaliar a solidez das instituições financeiras digitais. Para quem busca segurança e transparência na análise de bancos e fintechs, a ferramenta de Índice de Basileia e Imobilização da AUVP Analítica oferece dados detalhados sobre a saúde financeira das instituições, auxiliando na tomada de decisões mais seguras.