Banco destaca geração de caixa robusta e crescimento em metais básicos, apesar de desafios operacionais
O Citi reforçou sua confiança na Vale (VALE3), reiterando a recomendação de compra e elevando o preço-alvo dos ADRs negociados em Nova York de US$ 14 para US$ 18. A mineradora brasileira é vista pelo banco como uma das apostas mais seguras em um setor marcado por volatilidade, destacando-se frente a concorrentes globais. Mesmo com o fechamento em leve queda de 0,55% nesta segunda-feira (6), a R$ 83,09, o cenário permanece favorável para a companhia, especialmente diante da liquidez reduzida no mercado de minério de ferro devido ao feriado na China.
Projeções e Desafios Operacionais
O Citi atualizou suas projeções para o primeiro trimestre de 2026, estimando um Ebitda de US$ 4 bilhões para a Vale, o que representa um crescimento anual de 28,4%. A produção deve se manter estável, entre 68 e 69 milhões de toneladas, com preço realizado de US$ 96 por tonelada. No entanto, o aumento dos custos preocupa: a recente alta do petróleo pode pressionar as operações já no segundo trimestre, com cada elevação de US$ 10 no barril adicionando cerca de US$ 0,90 por tonelada ao custo do minério de ferro. Além disso, a planta de pelotização em Omã enfrenta interrupções devido ao conflito no Oriente Médio, embora parte dessa perda possa ser compensada pelo aumento da produção em Tubarão (ES).
Metais Básicos Ganham Relevância
Enquanto o minério de ferro enfrenta desafios, os metais básicos surgem como um novo pilar de sustentação para a Vale. O Citi projeta desempenho sólido para a divisão Vale Base Metals (VBM), com destaque para o cobre, tanto em volumes quanto em preços, além de contribuições positivas de níquel e subprodutos. A expectativa é que, a partir de 2035, a VBM represente entre 30% e 35% do Ebitda total da companhia, ante uma projeção de 26% para este ano.
Geração de Caixa: O Diferencial Competitivo
O grande trunfo da Vale, segundo o Citi, está na robusta geração de caixa. Para 2027, o banco estima um Ebitda de US$ 17,2 bilhões, com minério de ferro a US$ 100 por tonelada. O fluxo de caixa livre (FCF) deve alcançar US$ 4,4 bilhões, com yield de 6%. Excluindo pagamentos relacionados a indenizações por acidentes, esse valor pode chegar a US$ 7 bilhões, elevando o yield para 10%. Esse perfil diferencia a Vale de concorrentes que ainda dependem de grandes projetos em desenvolvimento, já que a mineradora brasileira foca em extrair valor de ativos existentes, reduzindo riscos e aumentando a previsibilidade dos resultados.
Valuation Atraente e Riscos no Radar
Apesar da valorização recente dos ADRs, que passaram de US$ 13 no fim de 2025 para US$ 16 atualmente, a Vale ainda negocia com desconto de cerca de 15% em relação aos pares globais, segundo o Citi. O novo preço-alvo de US$ 18 considera um múltiplo de seis vezes EV/Ebitda, reforçando o potencial de valorização. No entanto, o banco alerta para riscos relevantes, como mudanças tributárias e regulatórias, volatilidade das commodities e oscilações cambiais. O desempenho das operações fora do minério de ferro também segue abaixo do ideal, exigindo atenção dos investidores.
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