Executiva experiente assume recuperação judicial após autorização da Justiça de SP
A Casas Bahia (BHIA3) deu um passo estratégico em sua reestruturação financeira ao anunciar, nesta quinta-feira (23), a chegada de Camille Faria para liderar a nova fase do processo de recuperação judicial. Faria, sócia da Althia Partners e ex-CFO da Americanas (AMER3), traz consigo um histórico robusto de atuação em algumas das maiores crises corporativas do país, o que sinaliza uma aposta da varejista em experiência e credibilidade para enfrentar o momento delicado.
Contexto e impacto da nomeação
A decisão de trazer Camille Faria ocorre logo após a Justiça de São Paulo autorizar o processamento do pedido de recuperação judicial do Grupo Casas Bahia (BHIA3). A executiva assume a missão de negociar com credores e conduzir o plano de reestruturação ao lado da administração, em um cenário de forte pressão financeira e necessidade de reorganização profunda.
O currículo de Faria é emblemático: ela esteve à frente da reestruturação da Americanas, processo que ganhou destaque nacional, e também atuou na Oi, outra gigante que enfrentou turbulências severas. Sua chegada substitui Mateus Tessler, ex-sócio da Jive Mauá, que vinha conduzindo a reestruturação até então. Segundo comunicado da empresa, a transição foi consensual, com Tessler permanecendo como colaborador pontual e a consultoria Alvarez & Marsal mantendo seu papel de apoio técnico.
A companhia reforçou que a mudança de comando não altera a estratégia de reestruturação financeira, que segue alinhada com o Conselho de Administração e a Mapa Capital, acionista controladora.
Exigências judiciais e desafios à frente
Apesar do avanço judicial, a Justiça impôs condições claras: a continuidade do processo depende da apresentação de documentos pendentes, como demonstrações de fluxo de caixa de 2023 para quatro empresas do grupo e projeções financeiras detalhadas. Caso não sejam entregues, a autorização para a recuperação judicial pode ser revogada, aumentando a pressão sobre a nova liderança.
O pedido de recuperação judicial foi aprovado pelo conselho em agosto, após a divulgação de um prejuízo expressivo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026. A empresa atribui a crise a fatores macroeconômicos adversos, como juros altos, restrição de crédito e aumento do custo financeiro, que impactaram diretamente o consumo e o capital de giro.
Análise e perspectivas
A chegada de uma executiva com o perfil de Camille Faria pode ser interpretada como um movimento para restaurar a confiança do mercado e dos credores, além de sinalizar que a Casas Bahia (BHIA3) está disposta a adotar práticas rigorosas de governança e transparência. O sucesso da reestruturação dependerá não apenas da habilidade de negociação, mas também da capacidade de cumprir as exigências judiciais e apresentar um plano viável de recuperação.
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