Queda do preço do arroz pressiona produtores, mas Camil deve lucrar com alta dos estoques e margens
O preço do arroz vive um momento paradoxal em 2026
Para o consumidor, a queda de 46% em 2025 foi um alívio, mas para o produtor, o valor chegou a um patamar insustentável.
Com a saca sendo negociada na casa dos R$ 53, abaixo do custo de produção de R$ 54 no Rio Grande do Sul, a tendência agora é de uma correção forçada.
Segundo o BTG Pactual, os agricultores devem reduzir a área plantada em 5,6%, o que levará a uma queda na oferta e, consequentemente, à recuperação dos preços da commodity.
É exatamente nesse cenário de reversão de ciclo que a Camil (CAML3) se destaca.
Como processadora e dona de marcas líderes como Camil, União e Coqueiro, a empresa deve se beneficiar da valorização dos seus estoques e da melhora nas margens operacionais.
O banco mantém recomendação de compra com um preço-alvo de R$ 10,00, o que representa um potencial de valorização de 80,83% frente ao valor atual de R$ 5,53.
RECUPERAÇÃO DAS MARGENS
A Camil divulga seus resultados trimestrais no dia 14 de janeiro, e o mercado espera a confirmação de que a empresa entrou em sua segunda fase de recuperação.
No ano passado, as margens foram pressionadas por exportações de açúcar de baixo valor, um fator que não deve se repetir neste relatório.
O BTG estima que a margem Ebitda suba para 8,4%, uma melhora expressiva de 4,3 pontos percentuais na comparação anual.
A receita das operações no Brasil deve atingir R$ 1,95 bilhão. Embora o volume de vendas possa ser ligeiramente menor, a rentabilidade por produto tende a ser superior.
Para o investidor, o ponto alto da tese é o valuation. A ação está sendo negociada a apenas 6 vezes o lucro, um patamar considerado muito barato para uma empresa com a força de marca e a resiliência da Camil em mercados internacionais como Uruguai, Chile e Peru.
O IMPACTO DOS JUROS E ALAVANCAGEM
Outro fator que coloca a Camil no radar para 2026 é sua estrutura financeira. A companhia possui uma alavancagem de 3,1 vezes (Dívida Líquida/Ebitda).
Em um cenário de ciclo de corte de juros no Brasil, empresas alavancadas costumam ser as que mais se valorizam, pois o custo da dívida cai rapidamente, liberando mais lucro líquido diretamente para o acionista.
Nesta sexta-feira (9), as ações já deram sinais de vida, subindo mais de 3,6% durante o pregão.
O consenso dos analistas é que, se o preço do arroz realmente encontrou seu fundo, a Camil é o veículo mais eficiente na B3 para capturar a retomada desse setor essencial.
O investidor que busca valor em empresas de consumo encontra na Camil uma combinação de marcas consagradas, desconto histórico e um gatilho claro de recuperação de preços.
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