Banco mantém visão positiva, mas alerta para valuation menos atrativo e desafios no Brasil
O BTG Pactual revisou sua postura em relação às ações da Gerdau (GGBR4), reduzindo a recomendação de compra para neutra, mesmo após uma expressiva valorização dos papéis nos últimos meses. A decisão, anunciada nesta sexta-feira, reflete uma análise criteriosa do banco sobre o atual cenário de risco e retorno, que se mostra menos atrativo diante da alta de aproximadamente 40% acumulada no semestre. Apesar do corte na recomendação, o BTG elevou o preço-alvo da ação de R$ 20 para R$ 25 até o final de 2026, o que representa um potencial de valorização de apenas 8,3% em relação ao fechamento recente de R$ 23,08.
Contexto e fundamentos
Segundo os analistas Leonardo Correa, Marcelo Arazi e Bruno Henriques, a visão estrutural sobre a Gerdau permanece positiva, consolidando a empresa como referência no setor siderúrgico brasileiro. No entanto, o ajuste na recomendação está diretamente ligado ao valuation: com a forte alta das ações, o yield de fluxo de caixa, que antes oscilava entre 10% e 11%, recuou para a faixa de 6% a 7%. Esse movimento reduz a margem de segurança para o investidor, tornando o cenário menos favorável para novas entradas.
Desempenho regional e desafios
O relatório do BTG destaca a existência de duas realidades distintas para a Gerdau. Enquanto as operações nos Estados Unidos seguem robustas, com margens elevadas e desempenho consistente, o mercado brasileiro enfrenta fundamentos mais frágeis e rentabilidade pressionada. Além disso, processos antidumping em curso no Brasil não devem trazer benefícios concretos para a companhia em 2026, limitando as perspectivas de recuperação do mercado doméstico.
Impacto no mercado e projeções
A mudança de recomendação teve impacto imediato sobre as ações da Gerdau, que figuraram entre as maiores baixas do Ibovespa no pregão desta sexta-feira. Ainda assim, no acumulado de 2026, os papéis já apresentam valorização próxima de 12%, evidenciando o bom momento recente, mas também sugerindo cautela para movimentos futuros.
EUA: potencial já precificado
Para o BTG, o desempenho excepcional da operação norte-americana já está refletido nos preços atuais das ações. O banco alerta para riscos relacionados à revisão do acordo comercial entre Estados Unidos, México e Canadá, que pode impactar tarifas e cotas, reduzindo os spreads e afetando a rentabilidade regional.
Perspectivas para o 4T25
O banco projeta um quarto trimestre de 2025 mais desafiador, especialmente no Brasil, devido à sazonalidade e ao ambiente doméstico adverso. A expectativa é que a divisão norte-americana continue sendo o principal motor de resultados, respondendo por mais de 70% do Ebitda da companhia, com margens próximas de 21%. Já no Brasil, a rentabilidade deve permanecer entre as menores da história recente, com margens de Ebitda entre 6% e 7%, mesmo considerando a contribuição do segmento de aços especiais. A geração de caixa no período deve ser positiva, mas concentrada na liberação de capital de giro, um movimento típico do fim de ano.
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