Pedido de IPO da BRK Ambiental sinaliza retomada do mercado de capitais brasileiro com oferta de R$ 2,5 bi
O mercado de capitais brasileiro pode estar prestes a testemunhar um marco importante: após mais de quatro anos sem novas ofertas públicas iniciais de ações (IPOs), a B3 pode finalmente encerrar o maior jejum de sua história recente. Desde setembro de 2021, a bolsa brasileira não recebe uma nova empresa em seu quadro de listadas, um hiato que remonta ao início da série histórica em 2004. Esse cenário, que reflete o ambiente desafiador dos últimos anos, pode mudar com o pedido de IPO da BRK Ambiental, apresentado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na última quinta-feira (11).
A BRK Ambiental, controlada pela canadense Brookfield e com participação relevante do FI-FGTS — fundo de investimentos do FGTS administrado pela Caixa Econômica Federal —, busca listar suas ações no Novo Mercado da B3, segmento reconhecido pelo mais alto padrão de governança corporativa. A companhia atua no setor de saneamento básico, atendendo mais de 16 milhões de pessoas em mais de 100 municípios brasileiros, por meio de concessões e parcerias público-privadas (PPPs). Entre suas operações, destacam-se projetos em regiões estratégicas como o interior de São Paulo, Zona Oeste do Rio de Janeiro, Região Metropolitana do Recife, além de iniciativas de infraestrutura hídrica em Belo Horizonte, Salvador e municípios de Goiás.
O interesse da BRK Ambiental em abrir capital não é novo. Em 2022, a empresa já havia sinalizado a intenção de ingressar na bolsa, mas adiou os planos diante das condições adversas do mercado, cenário compartilhado por diversas companhias que também engavetaram seus projetos de IPO após o boom observado em 2020 e 2021. O aumento dos juros e as incertezas econômicas, tanto no Brasil quanto no exterior, esfriaram o apetite por novas ofertas.
Agora, com expectativas de queda da taxa Selic (SELIC)a partir de 2026 e uma possível melhora no ambiente macroeconômico, o mercado volta a observar com atenção os movimentos da BRK Ambiental. A empresa, contudo, ressalta que a concretização do IPO depende não apenas das aprovações regulatórias da CVM e da B3, mas também das condições dos mercados de capitais e de decisões societárias internas. Segundo apuração do Valor Econômico, a oferta pode movimentar cerca de R$ 2,5 bilhões, reforçando o caixa da companhia e, potencialmente, reabrindo a janela para novas aberturas de capital na bolsa brasileira.
O desfecho desse processo será acompanhado de perto por investidores e analistas, pois pode sinalizar uma retomada do ciclo de IPOs no Brasil e influenciar o apetite de outras empresas que aguardam o momento certo para acessar o mercado de capitais. Para quem deseja monitorar oportunidades e tendências no universo das ações brasileiras, a ferramenta de Busca Avançadada AUVP Analítica permite filtrar empresas por setor, governança e outros critérios fundamentais, facilitando a identificação de potenciais candidatos a IPO e movimentos relevantes no mercado.