Lucro líquido de R$ 2,5 mi no 2º tri contrasta com prejuízo acumulado de R$ 61,7 mi no semestre
A BrasilAgro BrasilAgro (AGRO3) apresentou seus resultados referentes ao segundo trimestre da safra 2025/2026, encerrado em 31 de dezembro de 2025, trazendo à tona um cenário de desafios e ajustes estratégicos no setor agropecuário brasileiro. O balanço divulgado revela que, apesar de um lucro líquido de R$ 2,5 milhões no trimestre — revertendo o prejuízo de R$ 19,6 milhões do mesmo período do ciclo anterior —, a companhia acumula um prejuízo de R$ 61,7 milhões nos seis primeiros meses da safra, ampliando o saldo negativo de R$ 30,1 milhões registrado há um ano.
Contexto e análise dos resultados
O desempenho financeiro da BrasilAgro reflete, sobretudo, a menor contribuição da cana-de-açúcar ao longo do semestre, fator destacado pela administração da empresa. Essa retração foi parcialmente compensada pelo avanço consistente das culturas de soja e milho, além de decisões estratégicas de comercialização que buscaram mitigar os impactos adversos do ciclo. Ainda assim, o Ebitda Ajustado Total despencou 77% no trimestre, somando apenas R$ 6,9 milhões, enquanto no acumulado semestral a queda foi de 64%, totalizando R$ 71,5 milhões. Esse indicador, que exclui ganhos de cultivos em produção e ajusta depreciações, evidencia a pressão sobre a rentabilidade operacional da companhia.
Receita e portfólio agrícola
Apesar do cenário desafiador, a receita líquida operacional da BrasilAgro atingiu R$ 494 milhões nos seis primeiros meses da safra, um crescimento de 3% em relação ao mesmo período do ano anterior. O desempenho comercial, excluindo a cana-de-açúcar, foi robusto, impulsionado principalmente pelas culturas de grãos e algodão, que apresentaram expansão relevante em receita e volumes vendidos. O portfólio de propriedades agrícolas da companhia, ao final de 2025, somava 252,8 mil hectares distribuídos entre seis estados brasileiros, Paraguai e Bolívia, conferindo flexibilidade e diluição de riscos operacionais.
Gestão de áreas e endividamento
A área total plantada recuou 1,7% em relação à projeção anterior, reflexo de ajustes estratégicos e orçamentários, especialmente na soja e feijão safrinha. A dívida líquida da BrasilAgro avançou para R$ 812,9 milhões, alta de 12% frente ao trimestre anterior, com custo médio de 94,12% do CDI, evidenciando o desafio de equilibrar investimentos e sustentabilidade financeira em um ambiente de margens pressionadas.
Projeção e perspectiva para investidores
Mesmo diante das oscilações recentes, o histórico de valorização das ações da BrasilAgro chama atenção: um investimento de R$ 1 mil há dez anos teria se multiplicado para R$ 4.303,00, considerando o reinvestimento de dividendos. O desempenho, embora ligeiramente inferior ao Ibovespa (IBOV) no mesmo período, reforça o potencial do setor agrícola para investidores de longo prazo atentos à diversificação e à resiliência do agronegócio brasileiro.
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