Banco adota estratégia conservadora e projeta crescimento de até 10,5% na carteira de crédito para 2026
O Bradesco (BBDC4) surpreendeu o mercado ao reportar um lucro recorrente de R$ 6,5 bilhões no quarto trimestre de 2025, um avanço expressivo de 20,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O resultado superou as expectativas dos analistas, que projetavam um lucro de R$ 6,3 bilhões, e reforça a percepção de que o banco está colhendo os frutos de um rigoroso processo de ajuste e reestruturação.
Contexto: Recuperação após período desafiador
Nos últimos anos, o Bradesco (BBDC4) enfrentou desafios significativos, como rentabilidade pressionada, aumento da inadimplência e dúvidas sobre sua capacidade de retomar a eficiência operacional. O desempenho recente, no entanto, sinaliza uma virada de página. O banco voltou a superar seu próprio custo de capital, um marco relevante para os acionistas e para o mercado financeiro.
Estratégia conservadora e disciplina de risco
A guinada começou com uma mudança estratégica: após anos de crescimento acelerado e deterioração da qualidade dos ativos, o Bradesco adotou uma postura mais conservadora em 2025. Sob a liderança do CEO Marcelo Noronha, a instituição priorizou o controle de risco e a qualidade da carteira de crédito, mesmo que isso implicasse abrir mão de uma expansão mais agressiva no curto prazo. Essa abordagem "passo a passo" já mostra resultados, com o banco reduzindo exposição a segmentos mais arriscados e reforçando a disciplina na concessão de crédito.
Impacto no mercado e valorização das ações
A resposta do mercado foi positiva. As ações do Bradesco acumularam forte valorização ao longo de 2025, refletindo a recuperação gradual da confiança de investidores e analistas. O desempenho do banco, agora mais sólido, começa a se destacar em meio aos pares do setor bancário.
Rentabilidade em ascensão, mas ainda atrás dos líderes
O balanço do quarto trimestre trouxe outro destaque: o ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) atingiu 15,2%, um avanço de 2,5 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Com a taxa Selic (SELIC) em 15%, o Bradesco voltou a gerar valor econômico para seus acionistas. Apesar do progresso, o banco ainda está atrás de concorrentes como Santander (ROE de 17,6%) e Itaú Unibanco, que lidera com 24,4%.
Expansão do crédito e margens robustas
O crescimento da carteira de crédito foi outro sinal de recuperação. O saldo expandido atingiu R$ 1,089 trilhão, alta de 11% em doze meses. Tanto o segmento de pessoa física quanto o de pessoa jurídica apresentaram crescimento equilibrado. As margens financeiras também avançaram: a margem bruta chegou a R$ 19,2 bilhões (alta de 13,2%), enquanto a margem líquida totalizou R$ 10,4 bilhões, um salto de 17,7% em um ano.
Perspectivas para 2026
O Bradesco projeta para 2026 um crescimento de 8,5% a 10,5% na carteira de crédito, mantendo a disciplina de risco como prioridade. O banco sinaliza que a estratégia de expansão responsável deve continuar guiando suas decisões, buscando consolidar a recuperação e fortalecer sua posição no setor.
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