Mercado espera início de cortes na Selic apenas em março, com inflação ainda acima da meta até 2029
O Boletim Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central, voltou a ser o centro das atenções do mercado financeiro nesta segunda-feira.
Em um cenário de expectativas ajustadas, o relatório trouxe uma nova redução na projeção de inflação para 2026, agora estimada em 4,00%, marcando a terceira revisão consecutiva para baixo. Apesar desse movimento, as previsões para a taxa Selic (SELIC) permaneceram inalteradas às vésperas da primeira reunião do ano do Copom (Comitê de Política Monetária).
Contexto e expectativas do mercado
O mercado financeiro, atento aos sinais do Banco Central, optou por não antecipar cortes na taxa básica de juros neste início de ano. A expectativa predominante é de que o ciclo de redução da Selic (SELIC) só tenha início em março, com projeção de queda dos atuais 15% para 12,25% até o final de 2026. Essa postura cautelosa reflete tanto a resiliência da economia brasileira quanto a avaliação de que a inflação, embora em trajetória de queda, ainda se mantém acima da meta estabelecida de 3% ao ano (com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%).
Inflação e projeções futuras
O Boletim Focus indica que o IPCA (IPCA) deve continuar recuando nos próximos anos, mas dificilmente atingirá o patamar de 3% perseguido pelo Banco Central antes de 2029. Para os anos seguintes, as projeções de inflação seguem em 3,80% para 2027 e 3,50% para 2028 e 2029. Esse cenário reforça a percepção de que o controle inflacionário ainda exigirá atenção redobrada das autoridades monetárias.
Selic, dólar e atividade econômica
No que diz respeito à taxa Selic (SELIC), o mercado projeta uma trajetória de queda gradual: 12,25% em 2026, 10,50% em 2027, 10,00% em 2028 e 9,50% em 2029. Já o dólar deve apresentar leve pressão de alta, com estimativas de R$ 5,50 em 2026, chegando a R$ 5,58 em 2029. O Produto Interno Bruto (PIB), por sua vez, deve crescer de forma moderada, com taxas entre 1,80% e 2,00% ao ano no horizonte analisado.
Análise e implicações para investidores
A resiliência do mercado de trabalho e da atividade econômica, aliada à cautela do Banco Central, sugere um ambiente de juros elevados por mais tempo. Para investidores, esse contexto exige atenção redobrada à dinâmica dos ativos de renda fixa e variável, bem como à evolução das expectativas de inflação e câmbio.
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