Medida visa recompor caixa do FGC após escândalo do Banco Master e garantir estabilidade do sistema financeiro
O sistema financeiro brasileiro enfrenta um momento de ajuste significativo após o escândalo envolvendo o Banco Master. Para recompor o caixa do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), os bancos brasileiros vão antecipar o repasse de R$ 32,5 bilhões ao fundo no próximo dia 25 de março. Essa medida, que antecipa contribuições previstas para os próximos cinco anos, é uma resposta direta à necessidade de fortalecer a solidez patrimonial do FGC e garantir sua capacidade de honrar compromissos com investidores e correntistas.
Contexto: O impacto do caso Master
O FGC atua como uma espécie de seguro para investidores e correntistas, cobrindo depósitos e investimentos em instituições financeiras sob intervenção ou liquidação pelo Banco Central. Com a liquidação extrajudicial do Banco Master e de outras instituições ligadas ao conglomerado, o fundo foi obrigado a desembolsar valores bilionários. Só para os clientes do Master, o FGC prevê reembolsar R$ 40,6 bilhões, incluindo aportes em CDBs. Outros R$ 6,3 bilhões serão destinados aos credores do Will Bank, braço digital do Master, e mais R$ 4,9 bilhões para os credores do Banco Pleno, ligado a ex-sócios do grupo. No total, os reembolsos devem alcançar cerca de R$ 52 bilhões, consumindo quase metade da liquidez do FGC, que era de R$ 121 bilhões ao final do primeiro semestre de 2025.
Como os bancos vão arcar com a conta
O FGC é financiado exclusivamente pelas instituições financeiras associadas, sem uso de recursos públicos. Para recompor o caixa, foi articulada a antecipação das contribuições dos bancos, que somam 187 instituições, entre bancos tradicionais e fintechs. Os grandes bancos, como Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, responderão pela maior parte do valor, já que a contribuição é proporcional à base de clientes e aos recursos elegíveis à cobertura do FGC. Projeções de mercado indicam que o Itaú deve repassar mais de R$ 8 bilhões, o Bradesco cerca de R$ 7 bilhões, enquanto Banco do Brasil e Caixa terão impacto contábil imediato de aproximadamente R$ 5 bilhões cada.
Mitigação do impacto no balanço dos bancos
Apesar do volume expressivo, o impacto no balanço das instituições deve ser limitado. O Banco Central autorizou que os bancos deduzam essas contribuições dos depósitos compulsórios, ou seja, dos recursos que precisam ser mantidos retidos junto ao BC para garantir a estabilidade do sistema financeiro. Essa flexibilização pode liberar até R$ 30 bilhões em 2026, aliviando a pressão sobre o caixa dos bancos e mantendo o equilíbrio do sistema.
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