BC justifica decisão técnica para proteger sistema financeiro diante de fraude e debate impacto no mercado
O Banco Central (BC) apresentou nesta segunda-feira (29) sua resposta formal ao Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a polêmica liquidação extrajudicial do Banco Master. O processo, que tramita sob sigilo, reacende o debate sobre a estratégia e a rapidez do órgão regulador diante de crises bancárias, tema que mobiliza investidores e o próprio mercado financeiro.
Contexto e questionamentos do TCU
A manifestação do BC foi motivada por questionamentos do ministro Jhonatan de Jesus, que classificou a decisão de encerrar as atividades do Banco Master como "extrema" e "precipitada". O TCU concedeu 72 horas para que o Banco Central justificasse por que teria ignorado alternativas de mercado que poderiam evitar a quebra da instituição, controlada por Daniel Vorcaro, sem acionar o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Fraudes bilionárias e propostas de aquisição
O cerne da intervenção do BC está nas evidências de uma fraude bilionária, estimada em R$ 12,2 bilhões. Investigações conduzidas pelo próprio Banco Central e pela Polícia Federal apontam que o Banco Master teria adquirido carteiras de crédito fictícias da empresa Tirreno, numa tentativa de simular liquidez e honrar compromissos com CDBs, mesmo sem recursos reais em caixa. Esse movimento, segundo as autoridades, justificou a medida drástica para proteger o sistema financeiro.
No entanto, o TCU destaca que havia propostas de aquisição em análise, como a do Grupo Fictor, que teria se disposto a investir R$ 3 bilhões para assumir o controle do banco meses antes da liquidação. Para o ministro, essa alternativa poderia ter preservado ativos e minimizado o impacto sistêmico da quebra.
A postura do Banco Central e os impactos para o mercado
Apesar da pressão do tribunal, fontes internas do Banco Central demonstram confiança de que todos os ritos legais foram seguidos à risca. A autarquia sustenta que não houve precipitação, mas sim uma resposta técnica e fundamentada para garantir a estabilidade do sistema financeiro diante de uma fraude comprovada.
O caso é acompanhado de perto por agentes do mercado, pois coloca em xeque a autonomia e a agilidade do Banco Central em situações de crise. Uma eventual decisão do TCU que restrinja ações sobre os ativos do Banco Master pode atrasar o ressarcimento de credores e comprometer a atuação do FGC, ampliando a incerteza para investidores e poupadores.
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