Relatório indica queda na probabilidade de descumprimento da meta e crescimento do PIB revisado para cima
O Banco Central (BC) trouxe novas perspectivas para a inflação brasileira, indicando que o retorno ao centro da meta de 3% ao ano só deve ocorrer no primeiro trimestre de 2028.
Essa sinalização, apresentada no Relatório de Política Monetária divulgado nesta quinta-feira (15), reforça a importância do controle inflacionário para a condução da política monetária e para a tão aguardada redução da taxa Selic (SELIC), atualmente mantida em 15% ao ano desde junho de 2025.
Contexto e Expectativas para a Inflação
O compromisso do BC com a meta contínua de inflação de 3% permanece inabalável. A autoridade monetária destaca que todas as decisões são orientadas para garantir que esse objetivo seja alcançado dentro do horizonte relevante de política. Apesar do cenário desafiador, o BC reduziu significativamente a probabilidade de descumprimento da meta de inflação para 2025, refletindo a recente desaceleração dos preços.
A meta de inflação admite um intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Nos últimos meses, o IPCA (IPCA) apresentou desaceleração, ficando abaixo dos 4,5% em novembro — um marco importante desde setembro de 2024. Com isso, as projeções apontam para um IPCA de 4,35% em 2025, 3,5% em 2026 e 3,2% no segundo trimestre de 2027, atingindo finalmente os 3% apenas em 2028.
Probabilidade de Descumprimento Cai
O novo relatório do BC mostra que as chances de descumprimento da meta de inflação caíram de 71% para 26% em 2025, e de 26% para 23% para o ano seguinte. Essa melhora é atribuída à moderação dos preços de alimentos, à estabilidade em bens industriais e serviços, além do impacto positivo da queda nos preços dos combustíveis, influenciada pela valorização do real frente ao dólar e pela retração do petróleo no mercado internacional.
Apesar dos avanços, o BC alerta que tanto a inflação corrente quanto as expectativas seguem acima do centro da meta, exigindo cautela na condução da política monetária.
Crescimento Econômico e Projeções para o PIB
O relatório também revisou para cima as projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Para 2025, a estimativa subiu de 2,0% para 2,3%, enquanto para 2026 passou de 1,5% para 1,6%. Ainda assim, o ritmo de expansão deve ser menor do que o observado em 2024, quando o PIB avançou 3,2%. O BC atribui essa desaceleração ao patamar elevado dos juros, considerado necessário para o controle da inflação, mas ressalta a resiliência do mercado de trabalho como fator de risco para pressões inflacionárias.
Selic Deve Permanecer Elevada
O Relatório de Política Monetária reforça o posicionamento do Copom de manter a Selic (SELIC) em níveis elevados por um período prolongado. A estratégia visa assegurar a convergência da inflação à meta, com o Comitê de Política Monetária mantendo postura vigilante diante dos desafios do cenário macroeconômico. O mercado, por sua vez, segue dividido quanto ao início do ciclo de cortes da Selic, com apostas majoritárias indicando que a redução dos juros só deve ocorrer a partir de março de 2026.
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