Copom reforça política de juros altos para conter inflação e projeta Selic estável até abril de 2026
O Banco Central decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano desde junho de 2025, reforçando sua estratégia de juros elevados para conter a inflação e garantir sua convergência à meta. A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira (16), deixa claro que o ciclo de cortes de juros pode não começar em janeiro de 2026, contrariando parte das expectativas do mercado financeiro.
Contexto e estratégia do Copom
O Copom justificou a manutenção da Selic (SELIC) em patamar elevado ao afirmar que a política monetária restritiva tem sido fundamental para promover ganhos desinflacionários. O comitê reiterou seu compromisso com o mandato do Banco Central de levar a inflação ao centro da meta, atualmente fixada em 3%, com tolerância entre 1,5% e 4,5%. O presidente do BC, Gabriel Galípolo, enfatizou que o objetivo é buscar o centro da meta, não apenas evitar o teto.
Expectativas de inflação e projeções
Apesar do esforço do BC, as expectativas de inflação seguem acima do centro da meta no horizonte relevante. O próprio Banco Central projeta alta de 3,5% do IPCA (IPCA) em 2026 e de 3,2% no segundo trimestre de 2027. O mercado, por sua vez, é mais pessimista: segundo o Boletim Focus, espera inflação de 4,10% em 2026 e 3,80% em 2027. Diante desse cenário, o Copom avalia que será necessário manter a restrição monetária por mais tempo do que se imaginava anteriormente, adotando uma postura de perseverança e cautela.
Inflação desacelera, mas riscos persistem
O Copom reconheceu que a inflação e as expectativas inflacionárias estão em trajetória de queda, impulsionadas pelo enfraquecimento do dólar e pela redução dos preços de commodities como petróleo e alimentos. A inflação de serviços também apresentou sinais de arrefecimento, embora ainda seja considerada resiliente devido ao mercado de trabalho aquecido. O comitê destacou que o crescimento econômico moderado, com alta de apenas 0,1% do PIB no terceiro trimestre, faz parte do processo de convergência da inflação à meta. No entanto, o mercado de trabalho segue como fator de risco, apesar dos primeiros sinais de desaquecimento.
Reação do mercado e perspectivas para a Selic
A ata do Copom foi interpretada pelo mercado como um sinal de que o início do ciclo de cortes de juros deve ser adiado. Analistas de grandes casas de investimento, como RB Investimentos, XP e Ativa, projetam que a Selic (SELIC) permanecerá em 15% ao ano pelo menos até março ou abril de 2026. A expectativa é de que, a partir daí, os cortes possam ser mais intensos, levando a taxa para algo entre 11% e 12% ao final do próximo ano, em linha com o consenso do Boletim Focus.
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