Clientes enfrentam bloqueios em transferências e pagamentos após intervenção do BC no banco digital
Liquidação extrajudicial do Will Bank impacta correntistas
A liquidação extrajudicial do Will Bank, decretada pelo Banco Central nesta quarta-feira (21), trouxe impactos imediatos para milhares de correntistas do banco digital. Com o bloqueio do Sistema Financeiro Nacional, usuários relatam que operações essenciais como transferências, pagamentos e investimentos foram rapidamente suspensas no aplicativo, que é o principal canal de acesso para a maioria dos clientes dessas instituições.
O cenário de incerteza se agravou quando, mesmo com o saldo visível, muitos clientes passaram a receber mensagens de erro ao tentar resgatar seus recursos. Notificações como “Ops, algo deu errado! Não foi possível resgatar o dinheiro. Tente novamente mais tarde” e avisos sobre a suspensão temporária das funções de crédito e débito do cartão passaram a ser frequentes. Apesar disso, o serviço de Pix e alguns outros ainda seguem operando, mas de forma limitada.
Essa paralisação é consequência direta da intervenção do Banco Central, que visa proteger o sistema financeiro e os próprios correntistas. Agora, os clientes do Will Bank aguardam o ressarcimento pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que cobre tanto investimentos de renda fixa quanto saldos em conta corrente, respeitando o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. Valores acima desse teto podem ser ressarcidos posteriormente, mas dependem de um processo mais complexo, envolvendo tanto os ativos do banco quanto o próprio FGC.
Desde novembro do ano passado, o Will Bank já operava sob regime especial, após a liquidação do Master, seu controlador. Durante esse período, gestores nomeados pelo Banco Central assumiram a administração da instituição, com o objetivo de manter a continuidade dos serviços e buscar potenciais compradores para os ativos do banco digital.
O episódio também acende um alerta para investidores que, diante do ressarcimento do FGC no caso do Master, cogitaram aplicar em CDBs do Will Bank, atraídos por taxas acima da média do mercado. No entanto, a janela para essa estratégia foi curta: entre o início dos pagamentos do FGC e a liquidação do Will, passaram-se apenas 48 horas. Agora, quem apostou nesses títulos enfrenta incertezas quanto ao prazo de ressarcimento, já que, no caso do Master, o processo levou mais de dois meses para ser concluído. Estima-se que o Will Bank tenha até R$ 7,5 bilhões em valores a serem pagos a correntistas e investidores.
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