Nova versão do mecanismo rastreia e bloqueia transferências suspeitas, protegendo usuários e instituições financeiras
O Banco Central do Brasil deu um passo decisivo no combate às fraudes envolvendo o Pix ao implementar, nesta segunda-feira (2), o MED 2.0 – a nova versão do Mecanismo Especial de Devolução. A medida, que já está em vigor, representa uma resposta direta ao aumento dos golpes digitais e promete transformar a segurança das transferências instantâneas no país.
Contexto e impacto no mercado financeiro
O MED 2.0 surge em um cenário preocupante: só em 2025, mais de 28 milhões de brasileiros foram vítimas de fraudes com Pix, segundo a Associação de Defesa de Dados Pessoais e do Consumidor (ADDP). O Banco Central, atento à escalada desses crimes, tornou obrigatória a adesão ao novo mecanismo para todas as instituições financeiras e de pagamento que operam o sistema. Embora a regra já esteja valendo, foi concedido um período de adaptação até maio, permitindo ajustes técnicos e a estabilização dos sistemas.
Como funciona o MED 2.0: rastreamento em cadeia e bloqueio automático
A principal inovação do MED 2.0 está na capacidade de rastrear o caminho do dinheiro após uma transferência fraudulenta. Diferentemente da versão anterior, que limitava o bloqueio à conta inicial, o novo sistema acompanha o percurso completo dos valores, mesmo que sejam transferidos para múltiplas contas em sequência. Isso fecha uma brecha explorada por criminosos, que antes conseguiam dispersar rapidamente os recursos para dificultar a recuperação.
Além do rastreamento em cadeia, o MED 2.0 introduz o bloqueio automático e preventivo de valores suspeitos em qualquer ponto da cadeia de transferências. Essa agilidade aumenta significativamente as chances de recuperação dos recursos antes que sejam sacados ou convertidos em outros ativos.
Padronização e experiência do usuário
Outra mudança relevante é a padronização da experiência do usuário. Todos os aplicativos de bancos e instituições de pagamento passam a oferecer um botão de contestação visível, permitindo que clientes denunciem transações suspeitas de forma totalmente digital, sem necessidade de contato humano imediato. O processo é simples: ao identificar uma movimentação suspeita, basta acessar o extrato de Pix, selecionar a operação e clicar em “contestar” ou “reportar fraude”.
Prazos, devolução e limitações
Após a contestação, as instituições têm até sete dias para analisar o caso e, se confirmada a fraude, devolver os valores à vítima. O processo é coordenado entre os bancos participantes do Pix, seguindo regras do Banco Central. Vale lembrar que o Pix permanece, por natureza, um meio de pagamento instantâneo e irreversível. O MED 2.0 se aplica apenas a fraudes comprovadas, como golpes, engenharia social e transferências sob coerção – não abrangendo erros de digitação, pagamentos voluntários ou desacordos comerciais.
Análise: avanço na segurança, mas prevenção segue essencial
A chegada do MED 2.0 representa um avanço significativo para a segurança do sistema financeiro brasileiro, tornando o Pix mais confiável diante do crescimento dos crimes digitais. No entanto, o Banco Central reforça que a prevenção continua sendo a principal barreira contra fraudes. Práticas como desconfiar de pedidos urgentes, não compartilhar senhas e confirmar dados antes de transferências seguem indispensáveis, mesmo com um sistema mais robusto para rastrear e bloquear recursos desviados.
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