Will Bank encerra operações após crise financeira e inadimplência com Mastercard, afetando 9 milhões de clientes
Banco Central decreta liquidação extrajudicial da Will Financeira (Will Bank)
O Banco Central decretou nesta quarta-feira (21) a liquidação extrajudicial da Will Financeira, conhecida no mercado como Will Bank, encerrando as operações de uma das principais fintechs do país, que já atendia mais de 9 milhões de clientes com cartões, contas digitais, empréstimos e seguros. A decisão, que impacta diretamente o cenário bancário digital brasileiro, foi motivada pelo comprometimento econômico-financeiro da instituição e sua insolvência, agravada pelo vínculo de controle com o Banco Master S.A., também sob liquidação extrajudicial.
Contexto e antecedentes da crise
A trajetória do Will Bank, que vinha crescendo de forma acelerada no segmento de bancos digitais, foi interrompida após o Banco Central identificar graves problemas de liquidez e descumprimento de normas do Sistema Financeiro Nacional. O conglomerado Master, controlador do Will Bank, já havia sofrido liquidações em outras frentes, incluindo o Banco Master de Investimento, o Banco Letsbank e a Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários. O Banco Master Múltiplo S/A, controlador direto da Will Financeira, chegou a ser colocado sob Regime de Administração Especial Temporária (RAET), numa tentativa de reestruturação que, após dois meses, se mostrou inviável diante da deterioração financeira.
O estopim: inadimplência com a Mastercard
O episódio decisivo para a liquidação foi o descumprimento das obrigações financeiras da Will Financeira com a Mastercard, o que levou ao bloqueio dos cartões do Will Bank no sistema de pagamentos da bandeira. Esse movimento evidenciou a incapacidade da instituição de honrar compromissos básicos, acelerando a intervenção do Banco Central. Em nota, o órgão regulador afirmou que seguirá apurando responsabilidades e poderá aplicar sanções administrativas, além de comunicar autoridades competentes conforme a legislação.
Impacto para clientes e acionamento do FGC
Com a exclusão do Will Bank do Sistema Financeiro Nacional, os clientes agora dependem do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para reaver valores depositados, respeitando o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, até o teto de R$ 1 milhão a cada quatro anos. Em setembro de 2025, a instituição detinha cerca de R$ 6,5 bilhões em depósitos a prazo. O FGC já está mobilizado para calcular o montante a ser reembolsado aos clientes do Will Bank, enquanto segue o pagamento de R$ 40,6 bilhões a credores do Banco Master.
Análise e projeções para o setor
Embora o Will Bank representasse apenas 0,57% do ativo total e 0,55% das captações do Sistema Financeiro Nacional, sua liquidação reforça a necessidade de atenção redobrada à governança e à solidez das fintechs e bancos digitais. O episódio serve de alerta para investidores e clientes sobre os riscos inerentes ao setor, especialmente em momentos de instabilidade econômica e mudanças regulatórias.
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