Queda da inflação surpreende, mas demissão no Indec gera incertezas sobre transparência dos dados
Cenário econômico argentino e inflação em baixa
O cenário econômico argentino ganhou novos contornos na última semana, quando o país registrou a menor inflação dos últimos cinco anos, segundo dados do Indec (Instituto Nacional de Estatística e Censo). O índice de preços ao consumidor subiu apenas 2,2% em janeiro, surpreendendo analistas e investidores que acompanham de perto a trajetória da economia argentina. No entanto, a notícia positiva veio acompanhada de turbulências políticas e questionamentos sobre a transparência dos dados oficiais.
Contexto e impacto político
O pedido de demissão de Marco Lavagna, chefe do Indec, acendeu um alerta no mercado. A saída repentina teria sido motivada por uma intervenção direta do presidente Javier Milei, que optou por adiar a atualização da metodologia de cálculo da inflação. Esse movimento remete a episódios passados em que o governo argentino foi acusado de manipular estatísticas econômicas, inclusive recebendo críticas do FMI em 2013 por subnotificação dos índices inflacionários.
A promessa de Milei de reduzir drasticamente a inflação foi um dos pilares de sua campanha. O presidente agora busca consolidar credibilidade ao entregar resultados concretos, mas a interferência no Indec levanta dúvidas sobre a autonomia técnica do órgão e a confiabilidade dos números divulgados.
Metodologia defasada e desconfiança do mercado
O debate sobre a metodologia do Indec não é novo. O modelo atual, implementado em 2004, ainda considera itens pouco representativos do consumo moderno, como telefone fixo de parede, cigarros e jornais impressos. Essa defasagem alimenta a percepção de que o índice oficial pode não refletir fielmente o custo de vida da população, preocupação compartilhada por agentes do mercado e consultores financeiros.
A pressão por uma atualização metodológica cresce, mas o governo Milei sinaliza que só fará mudanças após consolidar o processo de desinflação. Enquanto isso, parte do mercado teme que a inflação real esteja acima do divulgado, o que pode impactar decisões de investimento e a confiança dos agentes econômicos.
Mudanças monetárias e o papel do dólar
Em paralelo, o governo argentino implementou uma nova regra para o câmbio: a faixa de negociação do peso agora acompanha a inflação do mês anterior. Isso significa que, a cada divulgação do índice de preços, o teto de variação do dólar é ajustado, permitindo uma desvalorização controlada da moeda local. Desde janeiro, o dólar oficial subiu cerca de 2% frente ao peso, refletindo a tentativa do governo de alinhar o câmbio à dinâmica inflacionária sem abrir mão do controle sobre o mercado de divisas.
Análise e perspectivas
A combinação de inflação em queda, ajustes cambiais e tensões institucionais coloca a Argentina em um momento decisivo. O desafio de Milei será equilibrar a busca por estabilidade macroeconômica com a necessidade de transparência e credibilidade nas estatísticas oficiais. Investidores e analistas seguem atentos, avaliando se o país conseguirá sustentar a trajetória de desinflação sem recorrer a práticas que comprometam a confiança do mercado.
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