Varejista encerra o ano com R$ 942 mi em caixa, mas base de clientes e lojas físicas seguem em retração
A Americanas (AMER3) encerrou 2025 com uma melhora relevante em sua posição de caixa, mas ainda enfrenta desafios significativos para reconstruir sua base de clientes e lojas físicas.
Segundo relatório mensal divulgado nesta terça-feira, a varejista terminou dezembro com R$ 942 milhões em caixa, um avanço de 46% em relação a janeiro do ano anterior, quando os efeitos da recuperação judicial ainda eram mais intensos.
Apesar do reforço financeiro, os indicadores operacionais continuam sob pressão. O número de clientes ativos voltou a cair em dezembro, atingindo 40,83 milhões, abaixo dos 41,71 milhões registrados em novembro. O recuo é ainda mais expressivo quando comparado ao pico de 47,9 milhões em abril, evidenciando uma perda gradual de consumidores ao longo do ano.
Os dados mostram que a base de clientes da Americanas (AMER3) encolheu por oito meses consecutivos até dezembro, reflexo tanto do impacto da reestruturação quanto da redução da presença física da companhia em diversas regiões do país.
Estrutura física mais enxuta e sinais de estabilização
A Americanas também encerrou 2025 com uma rede de lojas mais enxuta. Ao final de dezembro, a companhia contava com 1.470 lojas, uma unidade a menos do que em novembro e bem abaixo das 1.641 lojas registradas em janeiro do mesmo ano. Segundo o relatório, a redução acompanha a sazonalidade do varejo e faz parte do plano de transformação em curso, que prevê revisões constantes, fechamento de unidades, ajustes de área de vendas e redimensionamento das operações.
Apesar da queda contínua no número de lojas ao longo de 2025, os dados do último trimestre sugerem um possível ponto de estabilização. Em outubro, a rede contava com 1.472 lojas, passando para 1.471 em novembro e encerrando dezembro com 1.470 unidades. Esse comportamento indica que a companhia pode estar se aproximando de um novo patamar operacional após um longo período de retração.
Mercado reage positivamente, mas desafios persistem
Mesmo diante da queda na base de clientes, o mercado reagiu positivamente à divulgação dos números. As ações da Americanas fecharam a terça-feira (27) em alta de 4,66%, cotadas a R$ 5,62, refletindo a percepção de que a melhora do caixa representa um passo importante para a sustentação da recuperação financeira.
Para investidores, o avanço na liquidez reforça a confiança de que a empresa ganhou fôlego, mas o desafio de reconquistar consumidores e voltar a crescer de forma consistente permanece, especialmente diante da forte concorrência no varejo físico e digital.
O desempenho operacional ao longo de 2026 será determinante para avaliar se a estratégia de reestruturação conseguirá transformar a melhora financeira em retomada efetiva de participação de mercado.
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