Fechamento marca fim de era e faz parte do plano de transformação da varejista após recuperação judicial
A Americanas Americanas (AMER3) encerrou, em dezembro de 2025, as operações de sua emblemática loja no Shopping Iguatemi São Paulo, um dos endereços mais prestigiados da capital paulista. A decisão, confirmada pela própria companhia, marca o fim de uma era: desde 1981, a varejista ocupava um espaço de mais de 1.500 metros quadrados na entrada principal do shopping, em meio a grifes internacionais como Chanel, Gucci, Prada e Bvlgari. O contraste entre o varejo popular e o universo do luxo sempre chamou atenção no corredor do Iguatemi, simbolizando a diversidade do consumo paulistano.
Contexto histórico e transformação do entorno
Quando a Americanas firmou contrato com o Iguatemi, a região da Faria Lima ainda não era o polo financeiro que conhecemos hoje. Naquele momento, a empresa vivia uma fase de expansão, impulsionada pela aquisição pela 3G Capital, de Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira. Em busca de adaptação ao ambiente sofisticado do shopping, a loja chegou a adotar um logotipo preto, rompendo com o tradicional vermelho da marca. Com o passar dos anos, porém, os caminhos se distanciaram: enquanto o Iguatemi consolidou seu foco no público de alta renda, a Americanas manteve sua essência de varejo acessível e de grande escala.
Tensões judiciais e negociações de bastidores
A relação entre o shopping e a varejista se deteriorou após a revelação da fraude contábil bilionária na Americanas em 2023. Em 2024, o Iguatemi recorreu à Justiça com pedido de despejo, alegando desabastecimento das lojas, o que configuraria quebra contratual. A Americanas, por sua vez, afirma que a saída foi fruto de um acordo mútuo, com extinção do processo judicial e sem inadimplência nos pagamentos. O encerramento da loja faz parte do plano de transformação da companhia, que prevê ajustes no portfólio conforme o perfil de consumo e o novo modelo de negócios. O aluguel do espaço girava em torno de R$ 250 mil mensais, e a tentativa de renovação por R$ 180 mil não foi aceita pelo shopping. A valorização do ponto e o interesse de marcas internacionais dispostas a pagar mais também influenciaram a decisão do Iguatemi.
Reestruturação e desafios futuros
O fechamento da loja no Iguatemi é mais um capítulo da reestruturação da Americanas após a descoberta da fraude contábil de R$ 25,2 bilhões e o pedido de recuperação judicial. Desde então, a companhia reduziu sua dívida para cerca de R$ 2 bilhões e revisou profundamente sua rede física: aproximadamente 22% das lojas foram fechadas, sendo 193 unidades encerradas apenas em 2025. A empresa reforça que a abertura e o fechamento de lojas fazem parte do ciclo natural do varejo, mas o movimento foi intensificado pelo plano de transformação. Apesar do cenário turbulento, as ações da Americanas acumulam alta de cerca de 12% no ano, negociadas ao redor de R$ 5,62. O grande desafio agora é consolidar o reposicionamento estratégico e reconstruir a confiança do mercado e dos consumidores.
Para quem acompanha de perto o setor de varejo e busca analisar o desempenho das principais empresas do segmento, a ferramenta de Comparador de Ações da AUVP Analítica oferece uma visão detalhada de múltiplos indicadores fundamentalistas, facilitando decisões mais embasadas e estratégicas.