Fintech ajusta captação para US$ 299 mi após desempenho negativo do PicPay na Nasdaq
O Agibank, uma das fintechs brasileiras mais observadas do momento, está prestes a estrear na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse), mas não sem antes promover uma reviravolta estratégica em sua oferta pública inicial de ações (IPO). Em uma decisão tomada poucas horas antes do início das negociações, o banco digital optou por reduzir drasticamente o tamanho da oferta e o preço dos papéis, sinalizando um ajuste de expectativas diante do cenário internacional e das recentes experiências de outras empresas brasileiras no mercado americano.
Contexto e ajuste na oferta Inicialmente, o Agibank planejava captar até US$ 828 milhões com a venda de cerca de 43,6 milhões de ações, além de um lote adicional de 6,5 milhões de papéis, com preços entre US$ 15 e US$ 18 por ação. No entanto, a fintech revisou sua estratégia e anunciou que colocará à venda apenas 20 milhões de ações, com possibilidade de um lote extra de 3 milhões, e um novo intervalo de preço entre US$ 12 e US$ 13 por papel. Com essa reestruturação, a expectativa de captação caiu para até US$ 299 milhões — uma redução de aproximadamente 63% em relação ao plano inicial.
Impacto do desempenho do PicPay A decisão do Agibank não ocorreu em um vácuo. O movimento foi fortemente influenciado pela recente estreia do PicPay na Nasdaq, que, apesar de captar quase US$ 500 milhões ao precificar suas ações no topo da faixa indicativa, viu seus papéis recuarem mais de 16% desde o IPO. Esse desempenho aquém do esperado acendeu um sinal de alerta entre investidores e levou o Agibank a adotar uma postura mais conservadora, buscando evitar uma recepção fria semelhante.
Análise de mercado e perspectivas Além do impacto direto do caso PicPay, analistas apontam que o corte na oferta do Agibank reflete questionamentos sobre a sustentabilidade do crescimento das fintechs brasileiras no exterior. O apetite dos investidores internacionais por empresas do setor financeiro digital do Brasil ainda é testado, especialmente após um longo período sem IPOs relevantes de companhias nacionais nos Estados Unidos. Mesmo assim, o Agibank mantém a intenção de precificar sua oferta e iniciar as negociações sob o ticker "AGBK" já nesta quarta-feira, apostando em uma estratégia mais alinhada ao momento do mercado.
Projeções e próximos passos A estreia do Agibank na Nyse será acompanhada de perto por investidores e analistas, que buscam sinais sobre o apetite global por ativos brasileiros de tecnologia financeira. O resultado desse IPO pode influenciar não apenas o futuro da própria fintech, mas também o ritmo de novas aberturas de capital de empresas brasileiras no exterior, em um contexto de retomada gradual desse mercado.
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