Maior zona de livre comércio do mundo promete impulsionar negócios entre 700 milhões de consumidores
O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia finalmente caminha para sua implementação, mesmo que de forma provisória, após décadas de negociações e entraves políticos.
O anúncio feito por Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, nesta sexta-feira (27), marca um novo capítulo para o comércio global, ao criar a maior zona de livre comércio do mundo, abrangendo mais de 700 milhões de consumidores e um PIB conjunto de aproximadamente US$ 22,4 trilhões.
Contexto e avanços recentes
Após 26 anos de negociações, o acordo foi fechado no início deste ano, mas ainda dependia da aprovação dos parlamentos dos países fundadores do Mercosul e do Parlamento Europeu. Recentemente, Uruguai e Argentina deram sinal verde ao texto, enquanto a Câmara dos Deputados do Brasil também aprovou o acordo, restando apenas a confirmação pelo Senado e a análise no Paraguai prevista para março. Na União Europeia, apesar de resistência de alguns deputados e do envio do texto ao Tribunal de Justiça, a Comissão Europeia optou por colocar o acordo em vigor provisoriamente, sinalizando confiança no avanço do processo.
Impactos econômicos e oportunidades
A implementação do acordo promete transformar o ambiente de negócios entre os dois blocos. A redução gradual de tarifas de importação e exportação deve impulsionar o comércio bilateral, beneficiando setores estratégicos. Para a Europa, a expectativa é de aumento nas exportações de vinhos, espumantes, produtos farmacêuticos e laticínios para o Mercosul, além de maior presença de bens industriais como máquinas, automóveis e têxteis. Já o Mercosul, especialmente o Brasil, tende a ampliar vendas de carnes, café, celulose, açúcar, etanol e soja para o mercado europeu, fortalecendo o agronegócio nacional.
Desafios e críticas
Apesar do otimismo, o acordo enfrenta resistência, sobretudo de agricultores europeus preocupados com a concorrência de produtos sul-americanos, especialmente na França. Protestos e debates intensos ainda marcam o cenário político europeu, e a ratificação definitiva depende de um consenso mais amplo no Parlamento Europeu. Ursula von der Leyen reconheceu que a conclusão total do acordo só será possível após essa aprovação, mas reforçou o compromisso da Comissão Europeia com um processo transparente e construtivo.
Análise estratégica e cenário global
A decisão de avançar com a implementação provisória reflete não apenas o desejo de fortalecer laços comerciais, mas também uma resposta às incertezas do cenário internacional, especialmente após as políticas protecionistas dos Estados Unidos sob Donald Trump. O acordo Mercosul-União Europeia surge como uma aposta em um comércio aberto, baseado em regras, e em uma integração mais profunda entre economias complementares.
Projeções e próximos passos
Com a entrada em vigor, mesmo que parcial, investidores e empresas dos dois blocos devem ficar atentos às oportunidades e desafios que se desenham. O acordo pode redefinir cadeias produtivas, estimular investimentos e gerar ganhos de competitividade, mas exigirá adaptação regulatória e estratégica de diversos setores.
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