BTG destaca resiliência do Inter e potencial de valorização de 73,5% após revisão de resultados
Desempenho das ações do Inter (INBR32) e impacto dos resultados recentes
As ações do Inter (INBR32) acumulam uma queda expressiva de 30% no ano, sendo que 23% dessa desvalorização ocorreu em apenas três pregões após a divulgação dos resultados mais recentes. O movimento negativo foi intensificado por um cenário macroeconômico adverso, deterioração na qualidade do crédito e a revisão da meta de ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido), agora projetada para 2030, três anos além do previsto anteriormente. Esse adiamento, que já era visto com ceticismo por parte dos investidores, ampliou a pressão sobre os papéis do banco digital.
No entanto, para os analistas do BTG Pactual, o pior pode já ter passado. Após uma reunião presencial com a diretoria do Inter em Belo Horizonte, o banco reiterou sua recomendação de compra para as ações, estabelecendo um preço-alvo de US$ 9,86 — o que representa um potencial de valorização de 73,5% em relação ao último fechamento. Segundo o BTG, encontros presenciais são especialmente valiosos em momentos de forte pressão sobre o ativo, e a impressão deixada foi de que a estratégia do Inter segue firme. A expectativa é de continuidade no crescimento dos lucros e de uma margem de segurança mais robusta, o que sustenta uma visão mais otimista para o papel.
Reação do mercado: exagero ou ajuste necessário?
Na avaliação do BTG, a reação do mercado foi desproporcional. Os analistas destacam que o Inter foi tratado como uma fintech de alta volatilidade, o que não condiz com sua atual estrutura: o banco possui um balanço sólido, carteira de empréstimos fortemente garantida e sensibilidade neutra às taxas de juros — uma diferença marcante em relação ao passado. Pelos cálculos do BTG, as ações negociam a cerca de 7,5 vezes o lucro por ação estimado para 2026, um múltiplo considerado atrativo.
O contexto de juros elevados, impulsionado por pressões inflacionárias globais e eventos como a guerra no Irã e os efeitos do El Niño, levou diversas casas de análise a prever uma Selic (SELIC) terminal acima de 14%. Para o BTG, essa conjuntura não deve comprometer o desempenho do Inter, que tende a se manter resiliente mesmo em um ambiente de juros altos por mais tempo.
Perspectivas para o ROE e crescimento sustentável
O tom da reunião com a administração do Inter foi construtivo. A direção reforçou que a expansão da margem financeira (NIM) está em andamento, com receitas crescendo em ritmo próximo a 20% ao ano. A expectativa é de que o ROE avance trimestre a trimestre, atingindo 17% no quarto trimestre de 2026 e chegando a cerca de 20% nos anos seguintes. Segundo o CEO, a própria evolução dos resultados será suficiente para alcançar esses patamares, sem necessidade de mudanças estruturais profundas.
Gestão de crédito e aposta no Desenrola 2.0
No segmento de crédito, o banco enfrentou deterioração acima do esperado em cartões e desempenho aquém do previsto na carteira de pessoa física, reflexo de mudanças operacionais e do cenário macroeconômico. A administração, porém, demonstrou confiança na solidez dos modelos de crédito, que foram ajustados para perfis de menor risco e com maior originação via aplicativo. O programa Desenrola 2.0 foi destacado como uma evolução significativa, com volumes maiores de regularização e melhor experiência para o cliente, o que deve contribuir para a recuperação de provisões e retorno de empréstimos.
Outro ponto relevante é que cerca de dois terços da carteira do Inter contam com garantias reais, o que proporciona um carry positivo e reduz a dependência de um ambiente macroeconômico favorável.
Para quem deseja acompanhar de perto o desempenho do Inter e de outros bancos digitais, a ferramenta de Ações da AUVP Analítica oferece uma visão detalhada de indicadores financeiros, múltiplos de mercado e histórico de resultados, facilitando a análise comparativa e a tomada de decisão estratégica.