Aquisição da Sumitomo e mudanças no conselho pressionam papéis; Safra mantém recomendação de compra
As ações da Raízen (RAIZ4) voltaram a ser negociadas abaixo de R$ 1 nesta sessão, reacendendo o status de penny stock e evidenciando a volatilidade que tem marcado o papel nos últimos meses.
Por volta das 16h40, os papéis recuavam 9,71%, cotados a R$ 0,93, em um movimento que reflete a combinação de desafios financeiros, estratégicos e de governança que pressionam a percepção de risco da companhia.
Contexto: Pressão financeira e aquisição estratégica
O principal gatilho para a queda foi a confirmação da aquisição da participação da japonesa Sumitomo na Raízen Biomassa, tornando a Raízen detentora de 100% da subsidiária. Embora a operação estivesse prevista em contrato desde 2016, o momento da transação preocupa o mercado: a companhia, que já enfrenta desafios de alavancagem, assume agora a posição de compradora de um ativo intensivo em capital. O valor da operação não foi divulgado, mas o timing da aquisição, em meio a um cenário de caixa pressionado, elevou o desconforto dos investidores.
Endividamento elevado: O principal risco
O endividamento segue como o maior ponto de atenção. No segundo trimestre da safra 2025/26, a dívida líquida da Raízen atingiu R$ 53,4 bilhões, um aumento de quase 49% em relação ao ano anterior. Esse cenário reforça o desafio de equilibrar investimentos, estrutura de capital e geração de caixa, especialmente diante de margens mais apertadas no setor de energia e biocombustíveis. Qualquer notícia sobre novas obrigações financeiras ou aquisições tende a amplificar a volatilidade das ações no curto prazo.
Governança: Mudanças no conselho aumentam incertezas
Além dos fatores financeiros, o mercado também reagiu à renúncia de Brian Paul Eggleston ao conselho de administração, com a indicação de Jorrit Jan Witte Van Der Togt pela Shell Brazil Holding BV para a vaga. Embora trocas em conselhos sejam comuns, a mudança ocorre em um momento delicado, aumentando o ruído e a cautela dos investidores.
Perspectivas para o 3T26: O que dizem os analistas
Apesar do cenário desafiador, parte do mercado mantém uma visão construtiva para os resultados operacionais da Raízen. O Banco Safra destaca que, no terceiro trimestre da safra 2025/26, os volumes de distribuição de combustíveis e vendas de açúcar superaram as expectativas, compensando o desempenho mais fraco do etanol. O segmento de distribuição de combustíveis deve continuar sendo o principal motor de resultados, mesmo diante de desafios no negócio de renováveis.
A moagem de cana-de-açúcar ficou abaixo do esperado, mas o Safra manteve recomendação de compra para Raízen (RAIZ4), com preço-alvo de R$ 1,40 — um potencial de valorização de 30% em relação às cotações atuais. O mix de produção, com 56% voltado ao etanol e 44% ao açúcar no trimestre, reflete a busca por margens mais favoráveis, enquanto o acumulado da safra mostra equilíbrio entre os dois produtos.
Análise AUVP Analítica: ponto de inflexão e cautela
A Raízen permanece em um ponto de inflexão. De um lado, há expectativa de melhora operacional e um valuation descontado; de outro, o elevado endividamento, a volatilidade dos resultados e decisões estratégicas em momentos sensíveis continuam pesando sobre a confiança do mercado. O investidor deve acompanhar de perto a disciplina financeira e a execução da estratégia de desalavancagem nos próximos trimestres.
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