Investidores reagem com desconfiança ao pedido de RJ da controladora e bloqueios judiciais
A derrocada das ações da Fictor Alimentos (FICT3) nesta segunda-feira (2) marca um dos episódios mais dramáticos do mercado de capitais brasileiro em 2024.
Por volta das 13h, os papéis da companhia despencavam mais de 40%, sendo negociados abaixo de R$ 0,70, segundo dados da B3. O movimento reflete a profunda desconfiança dos investidores após o anúncio de pedido de Recuperação Judicial (RJ) por parte da controladora do grupo, que inclui a Fictor Holding e a Fictor Invest, responsáveis por concentrar os principais investimentos do conglomerado.
Estrutura e exposição ao risco
A Fictor Alimentos (FICT3), única listada na bolsa, opera com uma estrutura segmentada, composta por nove empresas, cada uma dedicada a um setor específico. A Fictor Alimentos administra um portfólio industrial robusto, com 18 unidades produtivas distribuídas em cinco estados brasileiros. Apesar de um faturamento mensal médio de R$ 70 milhões — impulsionado pelo abate diário de 150 mil aves —, a companhia não escapou da pressão do mercado.
O temor dos investidores se intensificou após a tentativa frustrada de aquisição de ativos do Master, instituição liquidada pelo Banco Central, e culminou com o pedido de RJ da controladora, que estima dívidas de R$ 4 bilhões. Embora a filial de alimentos tenha sido excluída formalmente do pedido, o mercado reagiu com ceticismo, promovendo uma onda de vendas que levou as ações de R$ 1,35 na sexta-feira para a mínima de R$ 0,68 nesta segunda-feira.
Governança e bloqueios judiciais
A preocupação central dos investidores reside nos potenciais impactos da RJ sobre a subsidiária listada. Questões de governança, dificuldades de acesso a crédito e riscos operacionais passaram a pesar sobre o valuation da companhia. Na semana anterior, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 150 milhões em ativos financeiros da Fictor, após pedido da Orbitall, que alegou descumprimento contratual relacionado a garantias financeiras em operações de cartões de crédito.
Crescimento acelerado e exposição midiática
Fundada em 2007 por Rafael Ribeiro Leite Góis, a Fictor experimentou crescimento acelerado nos últimos anos, chegando a patrocinar grandes clubes de futebol, como o Palmeiras. No entanto, a ascensão rápida foi acompanhada de decisões estratégicas arriscadas, que agora cobram seu preço diante do escrutínio do mercado.
O fenômeno do IPO reverso
A trajetória da Fictor Alimentos na B3 também chama atenção pelo uso do IPO reverso. Em 2024, a empresa adquiriu o controle da Atompar e, a partir daí, passou a negociar suas próprias ações, sem recorrer ao tradicional processo de abertura de capital. Esse movimento, também adotado por empresas como Reag Investimentos (Arandu) e OranjeBTC (OBTC3), tornou-se uma alternativa em tempos de baixa no mercado de capitais. Contudo, a maioria dessas companhias viu seu valor de mercado despencar após a listagem, evidenciando os riscos do modelo.
Perspectivas e lições para o investidor
O caso Fictor escancara a importância da governança, da transparência e da solidez financeira para empresas listadas. O mercado, cada vez mais atento, penaliza rapidamente sinais de fragilidade ou dúvidas sobre a sustentabilidade dos negócios. Para o investidor, o episódio reforça a necessidade de análise criteriosa dos fundamentos e do histórico das companhias antes de qualquer decisão.
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