Mercado reage à emissão massiva de ações e plano de recuperação sob Chapter 11 nos EUA
As ações da Azul (AZUL54) enfrentaram uma nova rodada de forte desvalorização nesta quinta-feira, aprofundando um movimento negativo que já vinha desde dezembro de 2025. Por volta das 11h, os papéis já acumulavam queda de 65%, e, no início da tarde, o recuo atingia 67,26%, com as ações sendo negociadas a R$ 83,48. O cenário reflete a reação do mercado à recente emissão massiva de novas ações, parte de um amplo plano de reestruturação financeira da companhia aérea.
Contexto da queda: emissão de ações e reestruturação
O movimento de baixa ganhou força após o anúncio, ainda em dezembro, de que a Azul promoveria uma emissão bilionária de ações para reforçar sua estrutura de capital. Já na primeira semana de 2026, a companhia confirmou que seu Conselho de Administração aprovou e homologou o aumento de capital social, por meio de uma oferta pública primária de ações ordinárias e preferenciais.
Detalhes da operação: volume e precificação
No total, foram emitidas impressionantes 723,8 bilhões de novas ações ordinárias e igual quantidade de preferenciais. Os preços definidos para os papéis foram simbólicos: R$ 0,00013527 por ação ordinária e R$ 0,01014509 por ação preferencial. O volume financeiro da operação alcançou R$ 7,44 bilhões, sendo cerca de R$ 97,9 milhões em ações ordinárias e R$ 7,34 bilhões em preferenciais.
A oferta prioritária foi direcionada aos acionistas, com pedidos aceitos apenas em cestas padronizadas – múltiplos inteiros de 1 milhão de ações ordinárias ou 10 mil preferenciais. A mesma regra valeu para a oferta institucional, voltada a investidores profissionais.
Impacto no capital social e plano de reestruturação
Com a capitalização, o capital social da Azul saltou para R$ 14,57 bilhões, agora dividido em mais de 1,45 trilhão de ações. A companhia reforçou que a operação faz parte do seu plano de reestruturação nos Estados Unidos, conduzido sob o Chapter 11 do código de falências norte-americano, em busca de maior solidez financeira e sustentabilidade operacional.
Análise e perspectivas para o investidor
A forte diluição dos acionistas e a expressiva queda das ações refletem o desafio enfrentado pela Azul para equilibrar sua estrutura de capital e reconquistar a confiança do mercado. O episódio serve de alerta para investidores sobre os riscos de movimentos abruptos em processos de reestruturação, especialmente em setores de alta volatilidade como o aéreo.
Para quem acompanha o setor e busca avaliar oportunidades ou riscos em empresas em reestruturação, a ferramenta de Busca Avançada da AUVP Analítica permite filtrar companhias por indicadores de endividamento, liquidez e eventos societários, facilitando uma análise mais criteriosa e estratégica.