Plano aprovado prevê conversão de dívidas em ações e oferta pública, causando diluição e queda dos papéis
Ações da Azul (AZUL4) despencam após aprovação de plano de recuperação judicial nos EUA
O mercado financeiro brasileiro foi surpreendido nesta segunda-feira (15) com a forte queda das ações da Azul (AZUL4) , uma das três maiores companhias aéreas do país. Por volta das 13h, os papéis eram negociados abaixo de R$ 1, acumulando um recuo de 11% em relação ao fechamento da última sexta-feira. Esse movimento devolve a empresa ao patamar de valor de mercado observado em novembro, com um market cap de R$ 860 milhões, segundo dados da B3.
O principal fator por trás dessa reação negativa é a aprovação, nos Estados Unidos, do plano de recuperação judicial da Azul. O projeto prevê a conversão de parte das dívidas em ações, o que deve resultar em significativa diluição para os atuais acionistas minoritários. Além disso, a Justiça autorizou uma oferta pública adicional de ações, que pode movimentar até US$ 1 bilhão. O plano também inclui acordos comerciais, renegociação de contratos de leasing de aeronaves e outras medidas financeiras para reequilibrar as contas da companhia.
Apesar do impacto imediato sobre o preço das ações, analistas do setor aéreo avaliam que a aprovação do plano coloca a Azul em uma posição mais confortável para o futuro. A expectativa é de que os próximos balanços tragam maior previsibilidade e simplicidade para os investidores. A própria administração da empresa destaca a redução da alavancagem para 2,5x, abaixo dos 3x previstos anteriormente, e celebra a queda de 60% na dívida total, além de uma economia anual de cerca de US$ 200 milhões em juros. O presidente-executivo John Rodgerson enfatizou ainda a redução de 28% na dívida relacionada ao aluguel de aeronaves.
No entanto, a reestruturação também levou bancos e casas de análise a revisarem suas recomendações para os papéis da Azul. O Bradesco BBI, por exemplo, manteve a indicação de venda e projetou um preço-alvo de R$ 0,50, sugerindo espaço para novas quedas.
A Azul entrou em recuperação judicial em maio deste ano, recorrendo ao Chapter 11 nos EUA, seguindo o caminho de outras grandes companhias aéreas brasileiras que já passaram por processos semelhantes.
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