Ações da Vale sobem 3,68% com corte de investimentos e projeção de dividendos robustos para 2026
A Vale (VALE3) surpreendeu o mercado nesta quarta-feira ao ver suas ações dispararem na bolsa, impulsionadas pelas novidades apresentadas no Vale Day. O evento anual, realizado na terça-feira, trouxe atualizações estratégicas que mexeram com as expectativas dos investidores e reacenderam o otimismo em torno da mineradora.
Contexto e reação do mercado
Após o anúncio, os papéis da Vale atingiram a marca de R$ 71, patamar não registrado há quase dois anos. O avanço de 3,68% no pregão reflete a confiança renovada dos investidores, que enxergam espaço para valorização adicional. Grandes casas de análise, como Genial Investimentos e BTG Pactual, revisaram para cima o preço-alvo das ações, agora em R$ 80, enquanto o JP Morgan projeta um potencial ainda maior, com preço-alvo de R$ 86 – o que representa uma alta de até 22%.
Estratégia de capital e guidance revisado
O principal destaque do Vale Day foi a revisão das projeções de produção e investimentos. A companhia adiou para 2027 a meta de produzir 360 milhões de toneladas de minério de ferro, ajustando o guidance de 2026 para um intervalo entre 335 e 345 milhões de toneladas. Mais relevante para o mercado, porém, foi o corte na projeção de investimentos: a Vale pretende investir entre US$ 5,4 bilhões e US$ 5,7 bilhões em 2026, bem abaixo dos US$ 6,5 bilhões previstos anteriormente.
Essa disciplina na alocação de capital foi vista como um divisor de águas pelos analistas. Para a Genial Investimentos, a capacidade de crescer reduzindo o capex melhora substancialmente a perspectiva de lucratividade no médio prazo. O BTG Pactual reforça que o novo guidance sinaliza continuidade na evolução operacional da empresa, além de uma postura conservadora que pode ser revista para cima caso o cenário permita.
Superação de desafios e momento histórico
Outro ponto ressaltado pelos analistas é a superação de desafios históricos, como os desastres de Brumadinho e Mariana. O consenso é que a Vale vive hoje seu melhor momento em décadas, com fundamentos sólidos e uma estratégia mais alinhada às demandas do mercado global de commodities.
Dividendos e recompra de ações em foco
A perspectiva de distribuição de dividendos também ganhou destaque. O BTG projeta que o Dividend Yield da Vale pode alcançar entre 10% e 12% em 2026, tornando o papel ainda mais atrativo para investidores focados em renda. O CEO Gustavo Pimenta reforçou o compromisso de entregar retornos superiores aos concorrentes, enquanto o CFO Marcelo Bacci sinalizou que a recompra de ações pode ganhar força a partir do próximo ano, diante da volta da taxação de dividendos no Brasil em 2026. A antecipação de pagamentos neste ano já reflete essa estratégia.
Análise e projeção
A reconfiguração do plano de investimentos da Vale, aliada à disciplina financeira e à perspectiva de dividendos robustos, coloca a mineradora em posição de destaque no mercado brasileiro. O cenário sugere que, mesmo após a forte alta recente, ainda há espaço para valorização, especialmente se a empresa mantiver o ritmo de execução e superar eventuais desafios operacionais.
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