Despesas com Brumadinho e tributação impactam resultado, enquanto produção e Ebitda avançam
A Vale (VALE3) encerrou o quarto trimestre de 2025 com um prejuízo atribuído aos acionistas de US$ 3,8 bilhões, revertendo o lucro de US$ 2,7 bilhões do trimestre anterior e ampliando significativamente a perda de US$ 694 milhões registrada no mesmo período de 2024. O resultado negativo foi impulsionado por despesas relacionadas ao desastre de Brumadinho, ajustes em contratos de streaming — modalidade em que a mineradora antecipa receitas futuras — e efeitos fiscais que pressionaram o balanço.
Receita e Ebitda em Alta Apesar do Prejuízo Mesmo diante do prejuízo contábil, a Vale (VALE3) apresentou uma receita líquida de vendas de US$ 11,1 bilhões no trimestre, um avanço de 9% em relação ao ano anterior e de 6% frente ao trimestre imediatamente anterior. O Ebitda proforma atingiu US$ 4,8 bilhões, crescendo 17% na comparação anual e 10% na base trimestral, impulsionado principalmente pela divisão de metais básicos e pela valorização do cobre.
Impactos de Brumadinho, Streaming e Tributação As despesas relacionadas a Brumadinho e à descaracterização de barragens somaram US$ 246 milhões, mais que o dobro do registrado no quarto trimestre de 2024. Esses custos permanecem atrelados ao cumprimento dos compromissos do acordo de reparação. No campo financeiro, o resultado ficou negativo em US$ 1 bilhão, piorando em relação ao trimestre anterior, mas melhorando frente ao prejuízo de US$ 1,8 bilhão de um ano antes, graças à menor pressão cambial e à redução das despesas com juros. No aspecto tributário, a Vale reconheceu uma despesa de US$ 2,1 bilhões com imposto de renda e contribuição social, fator determinante para o prejuízo do período.
Operação Resiliente e Destaque para Metais Básicos No operacional, a produção de minério de ferro atingiu 90,4 milhões de toneladas, alta de 6% em relação ao mesmo período de 2024, embora com queda de 4% frente ao trimestre anterior devido à sazonalidade. As vendas de minério cresceram 5% ano a ano, com o preço realizado dos finos subindo para US$ 95,4 por tonelada. Nos metais básicos, o desempenho foi ainda mais robusto: a produção de cobre chegou a 108 mil toneladas, alta de 6%, e o preço realizado saltou 20%, para US$ 11.003 por tonelada. Já o níquel teve aumento de 5% nas vendas, mas o preço médio recuou 7%, para US$ 15.015 por tonelada.
Dívida em Queda e Alavancagem Sob Controle Apesar do resultado negativo, a Vale conseguiu reduzir sua dívida líquida para US$ 11,2 bilhões ao final de dezembro, uma queda de 10% em relação ao trimestre anterior, impulsionada pelo forte fluxo de caixa livre. A dívida líquida expandida ficou em US$ 15,6 bilhões, enquanto a relação entre dívida bruta e arrendamentos sobre o Ebitda ajustado dos últimos 12 meses caiu para 1,2 vez. O indicador de cobertura de juros atingiu 15,7 vezes, demonstrando solidez financeira mesmo diante de impactos não recorrentes.
Balanço Consolidado de 2025 e Perspectivas No acumulado do ano, a receita líquida da Vale foi de US$ 38,4 bilhões, praticamente estável em relação a 2024. O Ebitda proforma somou US$ 15,9 bilhões, alta de 3%, e o Ebitda ajustado chegou a US$ 15,5 bilhões, avanço de 4%. O lucro líquido atribuível aos acionistas totalizou US$ 2,4 bilhões, uma queda expressiva de 62% na comparação anual, reflexo de efeitos não recorrentes e maior carga tributária. Ainda assim, a companhia destacou o cumprimento ou superação de todos os guidances para 2025 e reforçou sua disciplina na alocação de capital, mantendo a estrutura financeira sob controle em um cenário de volatilidade e pressão fiscal.
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