Novo sistema de flotação chega em 2028, elevando eficiência e produção de cobre e ouro no Pará
A Vale (VALE3) está acelerando sua estratégia para ampliar a produção de cobre no Pará, consolidando o Complexo de Salobo como uma das operações mais relevantes do mundo nesse segmento.
O novo passo envolve a antecipação do início do sistema de Flotação de Partículas Grossas (CPF), previsto agora para o primeiro semestre de 2028, um ano antes do cronograma inicial. Essa tecnologia de beneficiamento mineral promete não apenas elevar a eficiência operacional, mas também aumentar significativamente a produção de cobre e ouro na unidade.
Otimização e ganhos operacionais
A decisão de antecipar o projeto foi impulsionada por uma combinação de fatores estratégicos: a obtenção antecipada da licença de construção junto ao Ibama e a simplificação do escopo do projeto, que permitiu reduzir investimentos e acelerar a execução. Com isso, a capacidade anual de processamento de minério em Salobo deve saltar para 42 milhões de toneladas, um acréscimo de 6 milhões de toneladas. O impacto direto será um aumento de até 30 mil toneladas de cobre contido em concentrado por ano, além de cerca de 15 mil onças de ouro como subproduto.
A movimentação total da mina também deve crescer aproximadamente 7%, impulsionada pela introdução de novos equipamentos de transporte e pela modernização dos processos. Esse avanço reforça a posição da Vale como protagonista global na oferta de minerais críticos, especialmente em um cenário de alta demanda por cobre, impulsionada pela transição energética e digital.
Momento estratégico e visão de futuro
Segundo Shaun Usmar, CEO da Vale Base Metals, subsidiária responsável por minerais como cobre e níquel, o projeto chega em um momento crucial para o setor. A dificuldade de ampliar a oferta global de cobre contrasta com a crescente demanda, tornando a antecipação do CPF um diferencial competitivo para a Vale. A empresa já havia demonstrado agilidade ao antecipar a entrega do Projeto Bacaba, também no Pará, e agora reforça sua capacidade de execução com Salobo.
Investimento ajustado e parceria internacional
O investimento previsto para o sistema CPF foi revisado para baixo, passando de uma faixa entre US$ 225 milhões e US$ 275 milhões para cerca de US$ 215 milhões. Esse ajuste foi possível graças à simplificação do projeto e ao apoio financeiro da multinacional canadense Wheaton Precious Metals, parceira de longa data da Vale. A Wheaton aportará US$ 40 milhões em duas parcelas, reduzindo o desembolso direto da Vale Base Metals para US$ 175 milhões.
O acordo com a Wheaton substitui pagamentos futuros previstos em contrato de streaming, otimizando o fluxo de caixa e fortalecendo a estrutura financeira do projeto. Essa engenharia financeira evidencia a capacidade da Vale de atrair parceiros estratégicos e viabilizar grandes projetos com menor exposição de capital próprio.
Para investidores atentos ao setor de mineração e commodities, acompanhar a evolução dos projetos da Vale é fundamental para identificar oportunidades e riscos. A plataforma de Ações da AUVP Analítica oferece ferramentas avançadas para análise de desempenho, histórico de produção e perspectivas de empresas como a Vale, facilitando decisões mais embasadas no mercado de capitais.