Fusão cria líder global em terras raras, setor estratégico para tecnologia e energia limpa
A consolidação global do mercado de terras raras ganhou um novo capítulo com a aquisição da mineradora brasileira Serra Verde pela americana USA Rare Earth (USAR), listada na Nasdaq.
O negócio, avaliado em US$ 2,8 bilhões (aproximadamente R$ 14 bilhões), posiciona a empresa resultante como uma das líderes mundiais em um setor estratégico para a indústria de alta tecnologia, energia limpa e defesa.
Contexto e relevância do negócio
A Serra Verde, localizada em Goiás, é reconhecida como a única produtora em grande escala de quatro elementos das chamadas terras raras fora da Ásia, com destaque para terras raras pesadas críticas. Esses minerais são essenciais para a fabricação de ímãs permanentes, smartphones, veículos elétricos e equipamentos militares, tornando o controle da cadeia produtiva um diferencial competitivo e geopolítico.
A CEO da USA Rare Earth, Barbara Humpton, destacou que a união das duas companhias cria uma plataforma robusta, capaz de gerenciar toda a cadeia de valor das terras raras, da extração à produção de materiais avançados. Já Thras Moraitis, ex-CEO da Serra Verde e agora à frente da empresa combinada, ressaltou que a fusão acelera a ambição de fornecer elementos de terras raras pesadas diretamente aos clientes finais, consolidando o Brasil como elo fundamental em uma cadeia global integrada.
Apoio estratégico dos EUA e impacto geopolítico
A concentração da produção de terras raras na China motivou os Estados Unidos a buscar alternativas para reduzir sua dependência. O governo americano, ainda sob a administração Trump, injetou US$ 750 milhões na estrutura financeira da USAR para viabilizar a aquisição da Serra Verde. Além disso, comprometeu-se a comprar pelo menos US$ 300 milhões em produtos da nova companhia ao longo de cinco anos, reforçando o interesse estratégico em diversificar o suprimento desses minerais.
O financiamento do negócio contou ainda com uma linha de crédito de US$ 500 milhões de um banco institucional e a emissão de novas ações, totalizando US$ 1,55 bilhão levantados pela USAR. Apesar do otimismo, as ações da companhia recuaram mais de 11% desde o anúncio da fusão, refletindo a cautela dos investidores diante dos desafios de integração e execução.
Brasil: potencial estratégico e desafios regulatórios
O Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China, e busca avançar na cadeia de valor desses minerais. A mina de Pela Ema, operada pela Serra Verde em Goiás, deve ampliar sua produção para 4.000 toneladas de óxidos de terras raras por ano até o final de 2026, podendo chegar a 6.400 toneladas em 12 meses e dobrar com futuras expansões. A expectativa é que a Serra Verde represente mais de 50% da oferta de terras raras pesadas fora da China, com projeção de Ebitda anual de até US$ 650 milhões em 2027.
A fusão também impulsiona a companhia combinada a um Ebitda estimado de US$ 1,8 bilhão em 2030. No entanto, o governo brasileiro observa o movimento com cautela, defendendo políticas para agregar valor localmente e evitar a simples exportação de minerais brutos. O Congresso Nacional aprovou recentemente um marco legal para minerais críticos, prevendo até R$ 7 bilhões em incentivos para projetos de processamento e transformação.
Nova governança e perspectivas globais
Com a integração, Thras Moraitis assume o comando da nova empresa, enquanto Mick Davis, ex-presidente do conselho da Serra Verde, passa a integrar o board da USAR. O foco agora está na execução eficiente e na integração das operações, com o objetivo de criar a primeira cadeia totalmente integrada de terras raras fora da Ásia, atuando "da mina ao ímã" em mercados estratégicos como Estados Unidos, França e Reino Unido.
Para investidores atentos ao potencial do setor de mineração e à transição energética, acompanhar o desempenho de empresas ligadas a minerais críticos é fundamental. A ferramenta de Busca Avançada da AUVP Analítica permite filtrar e analisar ativos do segmento, facilitando a identificação de oportunidades alinhadas às tendências globais do mercado de terras raras.