Decisão sobre venda da estatal paulista pode influenciar ações e setor de saneamento no Brasil
O Supremo Tribunal Federal (STF) inicia nesta sexta-feira, 20 de março, uma análise crucial para o futuro da Sabesp (SBSP3), estatal responsável pelo saneamento básico em São Paulo. O julgamento, que ocorre em plenário virtual e deve se estender até o dia 27, coloca em xeque a privatização da companhia, tema que mobiliza investidores, agentes públicos e a sociedade paulista.
Contexto e questionamentos sobre a privatização
A ação foi movida por partidos de oposição – PT, PSOL, Rede, PV e PCdoB – que contestam a Lei Estadual 17.853/2023, responsável por autorizar a venda do controle da Sabesp. Entre os principais argumentos, destaca-se a alegação de conflito de interesses envolvendo Karla Bertocco Trindade, ex-conselheira da Equatorial, empresa que se tornou acionista de referência da Sabesp, e que posteriormente assumiu posição estratégica na estatal paulista. Além disso, os partidos apontam falta de concorrência no leilão, já que a Equatorial foi a única participante, e questionam o valor de R$ 67 por ação, considerado inferior ao preço de mercado.
O papel do STF e o histórico recente
O relator do caso é o ministro Cristiano Zanin, que já liberou o processo para votação. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, esteve em Brasília para dialogar com os ministros e defender a legalidade da operação. Vale lembrar que, em 2024, o STF já havia analisado pedido semelhante, quando o então presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, decidiu monocraticamente pela manutenção da privatização. Na ocasião, Barroso ressaltou que cabe ao STF apenas avaliar possíveis violações constitucionais, não os méritos políticos ou econômicos do processo de desestatização.
Impacto no mercado e trajetória da Sabesp
Apesar da tensão política e jurídica, as ações da Sabesp mostraram resiliência no pregão anterior ao julgamento, registrando alta de 3,5% e sendo negociadas acima de R$ 152 na B3. Desde os anos 2000, a companhia já tinha parte do capital negociado em bolsa, mas foi apenas em julho de 2024 que a maior fatia das ações foi disponibilizada ao mercado, em uma operação que movimentou quase R$ 15 bilhões.
Análise e perspectivas
A decisão do STF pode redefinir o ambiente regulatório e o apetite de investidores por ativos de infraestrutura no Brasil. O caso Sabesp é emblemático, pois envolve não apenas questões jurídicas, mas também debates sobre eficiência, transparência e o papel do Estado em setores estratégicos. O desfecho do julgamento será acompanhado de perto por todo o mercado, podendo influenciar futuras operações de privatização e o próprio desempenho das ações da companhia.
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