Direcional, Lavvi, Even e Cyrela registram baixa; bancos recomendam compra pelo valuation atrativo
O setor imobiliário brasileiro viveu uma semana de intensas avaliações, culminando em um pregão de sexta-feira marcado por decepção: o mercado esperava mais das principais incorporadoras listadas na bolsa. Apesar dos resultados recentes, o consenso entre os grandes bancos permanece otimista, com recomendação de compra para a maioria dos papéis do segmento.
Desempenho das principais incorporadoras
Entre os destaques negativos, a Direcional Direcional (DIRR3) liderou as perdas, com queda de 5,70%, seguida pela Lavvi Lavvi (LAVV3) , que recuou 3,56%, mesmo após apresentar números considerados sólidos por parte dos analistas. A Even Even (EVEN3) também registrou baixa de 2,07%, enquanto a Cyrela Cyrela (CYRE3) teve uma retração mais moderada, de 1%.
O sentimento predominante é de que, embora 2025 tenha sido um ano de forte crescimento em lançamentos, a velocidade de vendas (VSO) começou a mostrar sinais de desaceleração no último trimestre. Esse movimento é especialmente perceptível no segmento de média e alta renda, onde os juros elevados continuam pressionando o desempenho das empresas.
Cyrela (CYRE3): entre defensividade e desafios
A Cyrela, maior incorporadora do país, reportou vendas de R$ 2,5 bilhões no trimestre. O resultado superou as projeções do JPMorgan, mas o mercado concentrou-se na queda de 31% em relação ao mesmo período do ano anterior. O Itaú BBA destacou o perfil defensivo da companhia, com quase metade dos resultados de 2026 atrelados a projetos de baixa renda. Por outro lado, a XP Investimentos avaliou os dados como fracos, especialmente pelo desempenho aquém do esperado no segmento de alta renda.
Direcional (DIRR3): impacto da concentração de lançamentos
A Direcional viu suas ações sofrerem após registrar uma VSO de 21,2%, considerada baixa pelos analistas. O Goldman Sachs apontou que as vendas ficaram 26% abaixo das estimativas. A empresa justificou o desempenho pela forte concentração de lançamentos em dezembro, que ainda não tiveram tempo de se converter em vendas efetivas. Apesar da queda, Bradesco BBI e Itaú BBA mantêm recomendação de compra, apostando no potencial do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) para impulsionar os resultados em 2026.
Even (EVEN3) e Lavvi (LAVV3): contrastes operacionais
A Even enfrentou um trimestre de forte retração nos lançamentos, com queda anual de 72%. O Bradesco BBI, porém, considerou o impacto neutro, já que o desempenho anual foi positivo. Já a Lavvi se destacou operacionalmente, acelerando lançamentos e vendas, com uma VSO em alta. O Itaú BBA elogiou a tração comercial da empresa, mas alertou para o múltiplo já elevado das ações, o que pode ter motivado a realização de lucros e a queda dos papéis.
Perspectivas para 2026: valuation atrativo e disciplina financeira
Apesar do fechamento negativo da semana, o consenso entre os grandes bancos – incluindo JPMorgan, Goldman Sachs, Itaú BBA e Bradesco BBI – segue favorável à compra da maioria das ações do setor. O principal argumento é o valuation: muitas dessas empresas negociam a múltiplos de lucro baixos e apresentam balanços sólidos. Para 2026, a expectativa é que a eficiência operacional e a disciplina financeira, como demonstrado por MRV e Cury, sejam diferenciais importantes para investidores que buscam dividendos no setor imobiliário.
Para quem deseja acompanhar de perto o desempenho dessas e de outras incorporadoras, a ferramenta de Ranking de Ativos da AUVP Analítica oferece uma visão comparativa dos principais indicadores do setor, facilitando a análise e a tomada de decisão estratégica.