Crise financeira da Saks impacta fornecedores, Amazon e grandes marcas do mercado de luxo
A crise da Saks Global e o impacto no setor de luxo: análise do pedido de recuperação judicial
O setor de varejo de luxo nos Estados Unidos foi surpreendido na última quarta-feira com o pedido de recuperação judicial da Saks Global, uma das marcas mais emblemáticas do segmento. A empresa, que há décadas é sinônimo de consumo de alta renda, recorreu ao tradicional Chapter 11 da legislação americana para buscar proteção contra dívidas bilionárias e tentar reestruturar suas operações.
Contexto e desafios financeiros
A decisão da Saks ocorre em meio a um cenário de dificuldades crescentes. A companhia enfrenta problemas severos com fornecedores, que interromperam o envio de produtos devido à inadimplência, resultando em prateleiras esvaziadas e queda nas vendas. Para garantir a continuidade das operações e o pagamento de funcionários, a Saks conseguiu levantar US$ 1,7 bilhão por meio da venda de títulos, um movimento crucial para manter a empresa ativa durante o processo de reestruturação.
Mudanças na liderança e estratégia de recuperação
A crise também provocou mudanças no comando da empresa. O CEO Richard Baker deixou o cargo, sendo substituído por Geoffroy van Raemdonck, ex-executivo da Neiman Marcus, que assume a missão de conduzir a Saks durante a recuperação judicial. A nova gestão já conta com reforços estratégicos, como Brandy Richardson na diretoria financeira e Darcy Penick na direção comercial, ambos com experiência em processos de reestruturação.
Disputa judicial com a Amazon
O processo de recuperação judicial da Saks ganhou um novo capítulo com a entrada da Amazon na disputa. A gigante do e-commerce solicitou à Justiça a suspensão da proteção judicial, alegando quebra de contrato e prejuízos significativos após investir US$ 475 milhões na Saks em dezembro de 2024. Segundo a Amazon, a varejista de luxo não cumpriu metas orçamentárias e acumulou dívidas expressivas, colocando a big tech no fim da fila de credores, com quase US$ 1 bilhão a receber nos próximos anos.
Repercussão no mercado de luxo
A crise da Saks reverbera por todo o setor de luxo, afetando grandes marcas como Chanel, Gucci e LVMH, que figuram entre os principais credores da empresa, com mais de US$ 220 milhões em pagamentos pendentes. A dificuldade em honrar compromissos com fornecedores ameaça o abastecimento das lojas e pode comprometer a presença de produtos de alto padrão nas prateleiras da Saks no curto prazo.
Tendências e futuro das lojas de departamento
O pedido de recuperação judicial da Saks levanta questionamentos sobre a sustentabilidade do modelo de lojas de departamento, especialmente em um ambiente de juros elevados e mudanças no comportamento do consumidor. Dados da Coresight Research apontam para um declínio acentuado do setor nos EUA, com o fechamento de mais de 8 mil lojas físicas em 2025. Além disso, marcas de luxo têm investido em lojas próprias, reduzindo a dependência de grandes redes varejistas e alterando a dinâmica do mercado.
Análise AUVP Analítica
O caso da Saks evidencia os desafios enfrentados pelo varejo de luxo diante de transformações estruturais e financeiras. Para investidores atentos ao setor, acompanhar indicadores de desempenho e a saúde financeira das empresas é fundamental para identificar oportunidades e riscos. A ferramenta de análise de ações da AUVP Analítica oferece uma visão detalhada dos principais players do mercado, permitindo comparar fundamentos e tendências de forma prática e estratégica.