Pré-candidato propõe pacificação, revisão fiscal e privatização de Correios e partes da Petrobras
Em meio à divulgação da mais recente pesquisa Genial/Quaest, o cenário eleitoral brasileiro ganha novos contornos com a entrevista do pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD). Em conversa com as jornalistas Andréia Sadi e Natuza Nery, Caiado apresentou suas propostas e posicionamentos sobre temas centrais para o país, reforçando sua estratégia para se destacar entre os principais nomes da disputa de 2026.
Anistia e pacificação política
Um dos pontos mais polêmicos da entrevista foi a defesa de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Caiado argumentou que a medida teria como objetivo pacificar o país e encerrar o debate político em torno do episódio. Segundo ele, ao conceder anistia, o tema sairia da pauta nacional, permitindo que o Brasil avance para uma nova fase de estabilidade institucional.
Reforma tributária sob revisão e ajuste fiscal
No campo econômico, Caiado se posicionou de forma crítica à atual reforma tributária, defendendo uma revisão profunda para reduzir a burocracia e preservar a autonomia dos estados. O pré-candidato destacou o Split Payment como um dos mecanismos que merecem reavaliação, por seu potencial impacto sobre a iniciativa privada. Caiado também foi enfático ao afirmar que não pretende aumentar impostos, preferindo concentrar esforços na redução dos gastos públicos e na avaliação criteriosa da eficiência dos programas governamentais. Ele relembrou sua experiência à frente da reforma da Previdência em Goiás como exemplo de gestão fiscal responsável.
Privatizações: foco nos Correios e segmentos da Petrobras
Questionado sobre privatizações, Caiado sinalizou intenção de privatizar os Correios e avaliar a venda de segmentos da Petrobras (PETR4), especialmente na área de gás natural, onde considera que a estatal tem desempenho aquém do esperado. Por outro lado, descartou a privatização do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, ressaltando o papel social dessas instituições no acesso ao crédito e no atendimento a regiões carentes.
Segurança pública e integração regional
Na área de segurança, Caiado defendeu uma postura mais rígida no combate ao crime organizado e se posicionou contra o uso de câmeras corporais por policiais militares, alegando que a medida pode limitar a atuação policial. Ele também apoiou a decisão dos Estados Unidos de classificar facções brasileiras como organizações terroristas e propôs a criação de uma força policial transnacional, integrada entre o Brasil e os países vizinhos, para enfrentar o crime de forma coordenada na América do Sul.
Relações com os Estados Unidos e defesa do agronegócio
Sobre o recente aumento de tarifas dos Estados Unidos a produtos brasileiros, Caiado criticou a medida e defendeu a diplomacia como caminho para proteger o agronegócio nacional e manter investimentos estrangeiros. Ele alertou para os riscos de retaliação e destacou o potencial estratégico das reservas brasileiras de terras raras pesadas como trunfo em futuras negociações internacionais.
Cenário eleitoral e perspectivas
A entrevista de Caiado ocorre em um momento de intensa movimentação política, com a pesquisa Genial/Quaest apontando Luiz Inácio Lula da Silva na liderança, seguido por Flávio Bolsonaro, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema. O posicionamento do pré-candidato do PSD revela uma estratégia de diferenciação, apostando em propostas de pacificação, revisão fiscal e integração regional para conquistar espaço no debate eleitoral.
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