Operação de R$ 35 milhões envolvendo Banco Master e ministro Toffoli levanta dúvidas sobre governança e compliance
Documentos revelam uso de fundo de investimentos em aquisição de resort ligado a ministro do STF
Documentos revelam que um fundo de investimentos teria sido utilizado pelo empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para adquirir parte da participação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, em um resort de alto padrão no Paraná. Segundo apuração do jornal O Estado de S. Paulo, a operação movimentou cerca de R$ 35 milhões, lançando luz sobre possíveis conflitos de interesse e práticas de governança no ambiente de negócios brasileiro.
Contexto e Estrutura da Operação
Os extratos bancários analisados indicam que os aportes financeiros foram realizados por Fabiano Zettel, pastor da Igreja Lagoinha e cunhado de Vorcaro. As datas das movimentações coincidem com o período em que o fundo estruturava sociedade com a empresa ligada ao ministro Toffoli. Mensagens obtidas pela Polícia Federal reforçam a suspeita, mostrando que Vorcaro teria solicitado a Zettel aplicações milionárias no empreendimento, além de cobranças relacionadas aos repasses.
A estrutura societária envolvida é complexa: Zettel era o único cotista do fundo Leal, administrado pela Reag Investimentos, que também está sob investigação no caso Banco Master. O fundo Leal, por sua vez, era o único cotista do fundo Arleen, utilizado para adquirir participação nas empresas responsáveis pelo resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro, Paraná. Em setembro de 2021, o fundo Arleen passou a integrar a sociedade das empresas Tayaya Administração e DGEP Empreendimentos, assumindo metade da participação de R$ 6,6 milhões em capital social da Maridt S.A., empresa ligada à família Toffoli. Apesar do valor formal de capital social ser de R$ 3,3 milhões, os documentos apontam que o total investido pelo fundo no empreendimento chegou a R$ 35 milhões, enquanto o resort é avaliado em mais de R$ 200 milhões.
Repercussão e Impacto no Mercado
A repercussão do caso evidencia a crescente preocupação do mercado com transparência e integridade nas operações financeiras envolvendo figuras públicas e grandes grupos econômicos. O episódio reforça a necessidade de aprimoramento dos mecanismos de compliance e fiscalização, especialmente em setores sensíveis como o de fundos de investimento e incorporação imobiliária. Investidores atentos observam como investigações desse porte podem impactar a reputação de instituições financeiras e influenciar decisões regulatórias futuras.
Posicionamento das Partes Envolvidas
Em nota anterior, o ministro Dias Toffoli negou ter recebido pagamentos de Vorcaro ou manter qualquer relação de amizade com o empresário. Procurado novamente, não se manifestou sobre as novas revelações. A defesa de Daniel Vorcaro também não respondeu aos questionamentos, enquanto os advogados de Fabiano Zettel optaram por não comentar o caso. O silêncio das partes reforça o clima de incerteza e expectativa em torno das investigações conduzidas por autoridades federais.
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