Campanha publicitária gera queda nas ações da Alpargatas e alerta sobre riscos reputacionais e políticos
A recente polêmica envolvendo a campanha publicitária da Havaianas, principal marca da Alpargatas (Alpargatas (ALPA4)), provocou uma queda significativa no valor de mercado da companhia.
Em apenas um pregão, a empresa perdeu R$ 152 milhões em valor, passando de R$ 7,445 bilhões na sexta-feira (19) para R$ 7,295 bilhões na segunda-feira (22). O episódio evidencia como questões reputacionais e debates políticos podem impactar diretamente o desempenho de empresas listadas na bolsa de valores.
Contexto da polêmica e reação do mercado
A controvérsia teve início após a veiculação de uma campanha de final de ano estrelada pela atriz Fernanda Torres. No comercial, a mensagem de “começar o ano com os dois pés” foi interpretada por parte do público, especialmente apoiadores da direita política, como uma crítica indireta ao espectro conservador. Políticos como Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Nikolas Ferreira (PL-MG) sugeriram boicote à marca, impulsionando uma onda de críticas nas redes sociais.
O reflexo imediato foi sentido no pregão de segunda-feira, quando as ações preferenciais da Alpargatas recuaram 2,39% e as ordinárias caíram 1,66%. O movimento derrubou o valor de mercado da companhia, afetando também grandes investidores institucionais, como a Itaúsa (ITSA4), maior acionista da Alpargatas com 29,58% de participação.
Reação dos investidores e projeções
Apesar do impacto inicial negativo, o mercado ensaiou uma recuperação já na terça-feira (23). Às 11h15, as ações preferenciais subiam 0,79% e as ordinárias avançavam 5,16%, indicando que parte dos investidores vê o episódio como uma oscilação pontual, típica de eventos reputacionais que tendem a se dissipar com o tempo.
Análise: riscos reputacionais e influência política
O caso Havaianas reforça a importância da gestão de imagem e comunicação para empresas de capital aberto. Em um ambiente polarizado, campanhas publicitárias podem ser rapidamente politizadas, gerando volatilidade nos ativos e exigindo respostas ágeis das companhias. O silêncio da Alpargatas até o momento sugere uma estratégia de contenção, evitando alimentar ainda mais o debate público.
Para investidores, o episódio serve de alerta sobre a necessidade de monitorar não apenas indicadores financeiros, mas também fatores intangíveis como reputação e exposição a riscos políticos. Grandes acionistas, como a Itaúsa, acompanham de perto os desdobramentos, atentos ao potencial de reversão ou agravamento do cenário.
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