Ação mira esquema bilionário envolvendo ex-prefeito e ex-secretário de Polícia Civil no Rio de Janeiro
A Polícia Federal intensificou, nesta terça-feira, sua atuação no combate à lavagem de dinheiro, deflagrando uma nova operação que mira postos de gasolina no Rio de Janeiro. A ofensiva, que mobilizou agentes para cumprir mandados de busca e apreensão tanto na capital quanto em cidades do interior fluminense, evidencia o esforço das autoridades em desarticular esquemas financeiros ilícitos que movimentam cifras bilionárias.
Entre os principais alvos da operação estão figuras de destaque no cenário político e de segurança pública do estado. Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e atual pré-candidato ao Senado pelo União Brasil, figura entre os investigados. Outro nome de peso é Marcos Amim, ex-secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro. Ao todo, 21 mandados foram expedidos, ampliando o alcance da investigação.
O ponto de partida para a operação foi uma série de relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), que identificaram movimentações financeiras atípicas superiores a R$ 7,6 bilhões desde 2020 entre os envolvidos. Esses dados reforçam a preocupação com a utilização de setores como o de combustíveis para práticas de lavagem de dinheiro e outros crimes financeiros.
A Polícia Federal destacou que, além de organização criminosa, os investigados poderão responder por contratação direta ilegal, lavagem de dinheiro e outros delitos que possam ser identificados ao longo das apurações. A ação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, iniciativa que segue as diretrizes do Supremo Tribunal Federal para o enfrentamento do crime organizado no Rio de Janeiro.
O contexto da operação ganha ainda mais relevância diante da recente onda de investigações envolvendo políticos e empresários do setor de combustíveis no estado. Na semana anterior, a PF já havia cumprido mandados contra donos de postos e investigado o ex-governador Cláudio Castro, suspeito de envolvimento em contratos públicos durante sua campanha ao governo.
A crise política no Rio de Janeiro se aprofunda com a sucessão de investigações e prisões de figuras públicas. Atualmente, o estado é governado interinamente por Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça, após a saída de Castro. O cenário reforça a necessidade de transparência e rigor no acompanhamento das movimentações financeiras e contratos públicos.
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