Produção cresce 18,3%, mas queda nos preços e investimentos pressionam dividendos no último trimestre
A Petrobras (PETR4) encerrou 2025 com um desempenho operacional impressionante, registrando produção recorde de petróleo e gás natural. No entanto, apesar desse avanço, o cenário para os dividendos da estatal no quarto trimestre do ano aponta para um volume menor de distribuição aos acionistas, refletindo desafios do mercado global e decisões estratégicas internas.
Produção recorde, mas desafios à vista
A estatal alcançou uma produção média de 3,109 milhões de barris de óleo equivalente por dia no último trimestre de 2025, mantendo-se praticamente estável em relação ao recorde do trimestre anterior e avançando 18,3% sobre o mesmo período de 2024. Esse desempenho robusto foi impulsionado tanto pelo aumento das exportações quanto pela resiliência das vendas de derivados no mercado interno. Contudo, o crescimento das vendas ocorreu em um ambiente de preços menos favoráveis: o barril do petróleo Brent recuou quase 20% ao longo do ano, encerrando 2025 próximo dos US$ 60.
Impacto dos preços e dos investimentos
Apesar do volume expressivo de produção, analistas do setor alertam que a queda dos preços internacionais do petróleo e o aumento dos investimentos devem pressionar os resultados financeiros da Petrobras (PETR4). O Itaú BBA projeta um Ebitda de US$ 10,6 bilhões para o quarto trimestre, uma retração de 12% frente ao trimestre anterior. Além disso, a estatal acelerou seus investimentos no final do ano, incluindo a aquisição de áreas estratégicas nos campos de Mero e Atapu e um acordo relevante para equalização do pré-sal de Jubarte. Esses movimentos elevaram os desembolsos e, consequentemente, reduziram o espaço para distribuição de dividendos.
Política de dividendos sob pressão
A política de remuneração da Petrobras determina que 45% do fluxo de caixa livre seja destinado aos acionistas, desde que a dívida bruta permaneça abaixo do limite estabelecido no plano estratégico. Com o aumento dos investimentos e a pressão sobre o caixa operacional, o montante disponível para dividendos tende a encolher. O Itaú BBA estima que a estatal distribuirá US$ 1,0 bilhão em dividendos ordinários referentes ao quarto trimestre, uma queda de 54,4% em relação ao período anterior e um rendimento de apenas 1,1%. O BTG Pactual, por sua vez, projeta um valor um pouco superior, de US$ 1,2 bilhão, mas também alerta para a possibilidade de frustração das expectativas do mercado.
Perspectivas e próximos passos
O valor exato dos dividendos será divulgado após o fechamento do mercado em 5 de março, quando a Petrobras apresentará seus resultados do quarto trimestre. O desempenho da companhia, diante de um cenário de preços pressionados e investimentos elevados, será acompanhado de perto por investidores e analistas, que buscam entender o equilíbrio entre crescimento operacional e retorno ao acionista.
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